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Parceiros dizem que moeda é desvalorizada e dá vantagem injusta aos produtos chineses

A moeda chinesa, o iuane - que o Ocidente considera desvalorizado -, alcançou um nível "próximo do equilíbrio", declarou nesta quarta-feira o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, ressaltando que a balança comercial da segunda economia mundial mostra um superávit menor nos últimos meses.

"A taxa de câmbio do renminbi (nome oficial do iuane) está perto de ter alcançado um nível de equilíbrio", declarou Wen em sua coletiva de imprensa anual, após o encerramento da sessão deste ano do Parlamento chinês.

O iuane é considerado desvalorizado pelos principais interlocutores comerciais da China, o que, em sua opinião, confere aos produtos chineses uma vantagem competitiva injusta.

"Vamos prosseguir com a reforma do mecanismo de câmbio do renminbi" para introduzir mais flexibilidade, acrescentou. A moeda chinesa flutua atualmente diariamente 0,5% como máximo em torno de uma cotação fixada pelo banco central.

Em relação ao dólar, "a taxa de câmbio efetiva do iuane se valorizou 30% desde 2005", detalhou Wen.

O primeiro-ministro chinês também disse que esperava que os Estados Unidos, que possuem um enorme déficit comercial com Pequim, levantem suas restrições à exportação e aumentem seu comércio com a China no campo das novas e altas tecnologias.

As relações comerciais entre Washington e Pequim passam por uma fase de tensões, em um contexto de campanha presidencial nos Estados Unidos.

"Em 2011, o superávit das transações correntes da China foi de 2,8%, e é inferior à norma internacional de 3% do PIB", ressaltou o primeiro-ministro.

A balança comercial é a medida mais ampla das negociações de um Estado com o resto do mundo.
O superávit chinês das transações correntes, que era de 5% no primeiro semestre de 2010, segundo cálculos da agência Dow Jones, diminuiu com a queda em 2011 do excedente da balança comercial do país, e também diante do menor fluxo de capitais especulativos em direção à China.

Estes fluxos caíram a partir do último verão boreal, quando os operadores deixaram de apostar em uma contínua valorização do iuane em relação ao dólar.

Num momento em que a China é acusada por Estados Unidos, Japão e Europa de restringir suas exportações de terras-raras, Wen assegurou igualmente que seu país se opõe ao protecionismo.

"Vamos respeitar os princípios da Rodada de Doha (de liberalização do comércio mundial), promover livre comércio e nos opor ao protecionismo", declarou.

A China assegura que as restrições às exportações de terras-raras - utilizadas para várias áreas da alta tecnologia - obedecem à necessidade de proteger seu meio-ambiente e seus recursos.

O gigante asiático é o primeiro produtor mundial de terras-raras, que contêm 17 elementos-chave na fabricação de produtos de alta tecnologia, de iPods a mísseis

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