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Para analistas, ações de infraestrutura, construção e comércio começam a ficar caras

Em seu retorno à Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), o estrangeiro continua fora de Petrobras e de ações ligadas a commodities. A preferência continua sendo por papéis de companhias ligadas à economia local, e que estão ficando caros com essa movimentação.

Levantamento feito pelo iG com base em números da Economática mostra que, no ano, seis das dez maiores altas do Ibovespa são de ações da economia local: Lojas Renner (+60%), Souza Cruz (+58%), Natura (+36%), AmBev (+35%), PDG Realty (+27%) e MRV (+23%).

Ação da Renner, que ganha com o crescimento da economia, é a que mais subiu este ano
Getty Images
Ação da Renner, que ganha com o crescimento da economia, é a que mais subiu este ano
“Ainda há uma brutal liquidez lá fora, e nossa economia se saiu bem na crise. As empresas locais ganham com isso”, observa Reginaldo Alexandre, presidente da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais em São Paulo (Apimec-SP). “As perspectivas positivas para setores de infraestrutura e de construção civil já estão no preço dos papéis. Seria o momento de o mercado fazer uma rotação de ações”, afirma.

O problema, nesse caso, seria a falta de opções para investir. Petrobras tem levantado dúvidas. Recentemente, por exemplo, a Itaú Corretora reduziu em 29% o preço-alvo das ações preferenciais da estatal de petróleo e rebaixou a recomendação dos papéis de "acima do desempenho do mercado" para "em linha com a média de mercado". O corte levou em conta a diluição depois da capitalização e o preço acima do esperado para o barril de petróleo utilizado no contrato entre governo e a União para as reservas de 5 bilhões de barris na região do pré-sal da bacia de Santos.

Além disso, os analistas afirmam que não é um bom momento para as commodities brasileiras. Entre os motivos, dizem, está a própria valorização do real, que diminui a competitividade dos produtos locais. A elevação recente dos juros pela China piora a situação. “A Vale divulgou recentemente ótimos números, mas as commodities vão mal e a recuperação da economia global, que levanta a venda desses produtos, será lenta”, diz Alexandre.

Lika Takahashi, coordenadora de análise de investimento e estrategista da Fator Corretora, também vê muitos desses papéis com cotações esticadas. “Se o investidor não comprar Petrobras, vai sim procurar as ações da economia local.”

Como continuam sendo a opção mais atraente, as ações continuarão caras, mas mesmo assim serão compradas pelos investidores, diz Herculano Aníbal Alves, diretor de renda variável da empresa de gestão de recursos do Bradesco, a Bram. “Muitas ações já não estão baratas, realmente”, diz. “Mas, se a economia continuar crescendo nos próximos anos, essas empresas continuarão lucrando, e os preços de seus papéis se manterão em alta.”

Lista de ofertas

Lika também lembra que o fim da oferta da Petrobras destravou a lista de empresas que pretendem captar via lançamento de ações. Duas delas seguem os moldes da Petrobras: querem dinheiro de novos acionistas para investir na exploração de petróleo.

A HRT Participações espera captar cerca de R$ 1,8 bilhão em sua oferta, segundo relatório sobre a operação. É uma companhia brasileira independente de exploração e produção, formada por um grupo de geocientistas e engenheiros ex-funcionários da Petrobras e da Agência Nacional do Petróleo (ANP). O portfólio de blocos de exploração é de 75.425 km² (18,6 milhões de acres), compreendendo blocos terrestres nas bacias do Solimões, Espírito Santo, Recôncavo e Rio do Peixe, no Brasil, e blocos em água nas sub-bacias de Walvis e Orange, na Namíbia.

Já a Karoon Petróleo e Gás é uma empresa independente de exploração de petróleo e gás com atuação concentrada na América do Sul. É controlada pela Karoon Gas Australia Ltd., empresa australiana de grande porte, cujas ações estão listadas na Bolsa de Valores daquele país.

No prospecto de sua oferta, que ainda não tem valor de captação estimado, o Grupo Karoon informa que é dona de cinco blocos de exploração na Bacia de Santos, no Brasil. Tem ainda 20% de fatia em outros dois blocos na mesma área, operados pela Petrobras. A empresa tem ainda participação em cinco blocos de exploração no Peru.

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