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SÃO PAULO - Crescimento econômico mais forte, finanças públicas mais resistentes e sistemas financeiros menos alavancados são um diferencial dos países emergentes frente aos países mais ricos

. O 'preço' dessa condição mais favorável é a valorização da moeda que impõe desafios aos emergentes, comenta a Moody´s Investors Service em relatório. "Ao mesmo tempo em que houve uma aproximação entre os ratings desses dois grupos, uma série de países emergentes teve sua moeda fortemente valorizada devido ao crescimento elevado e preços atrativos", diz o vice-presidente e analista sênior da Moody´s, Patrick Esteruelas, que assina o relatório 'Currency Appreciation Pressures Create Challenges for EM Sovereign Credits'. "Esses fatores foram acompanhados por condições monetárias muito relaxadas nos principais mercados desenvolvidos, levando a grandes entradas de capital nos mercados emergentes", afirma. A agência de classificação de risco indica que a direção geral dos ratings para as diversas regiões reflete a melhora notável da América Latina nos últimos três anos, seguida pelos créditos do Oriente Médio, África e Ásia. Os ratings da Europa, por sua vez, foram gravemente atingidos pela crise financeira. "A maneira como os governos e as autoridades dos bancos centrais responderam à ?muralha de dinheiro' depende de suas prioridades políticas e sua capacidade de intervir de maneira agressiva e eficaz no mercado", diz Esteruelas. "As diferentes respostas vão da abordagem hands-off do Chile até a adoção de controles de capital pontuais do Brasil e da Tailândia." Mesmo sem prever nenhum impacto imediato nos ratings provenientes destas ações ou dos acontecimentos que as precederam, Esteruelas disse que a Moody´s vai monitor o ajuste dos países às mudanças do cenário internacional. Principalmente a forma como essas mudanças impactam o crescimento econômico e as dinâmicas fiscais e de dívidas. "Acompanharemos de perto o potencial efeito dessas ações nos próximos meses sobre o volume e ritmo dos fluxos de capital para as economias emergentes, e como esses países enfrentam este desafio", conclui Esteruelas. (Angela Bittencourt | Valor)

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