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Coroas da Noruega e Dinamarca também sobem no ano. Apesar dos problemas dos EUA, moeda se mantém como reserva mundial

A fraqueza da economia dos Estados Unidos está fazendo os investidores migrarem parte de suas aplicações em dólar para outras moedas. Franco suíço, dólar neo-zelandês, coroa norueguesa e coroa dinamarquesa são as preferidas dos aplicadores neste ano.

Essas cinco moedas são as que mais sobem em 2011 na comparação com o dólar. Segundo levantamento com base em números da Bloomberg, o franco suíço dispara 21,54% (ver gráfico), seguido por altas de 11,73% do dólar da Nova Zelândia, 8,55% da coroa norueguesa e 7,32% da coroa dinamarquesa. Todas essas moedas vêm na frente do euro que, apesar dos problemas enfrentados por algumas de suas economias, sobe 7,24% na comparação com o dólar.

Hoje, no Brasil, o dólar fechou em baixa de 0,43%, a R$ 1,5610 . A moeda teve mais uma sessão de pouca liquidez após as medidas do governo da semana passada.

As moedas mais procuradas no ano

Confira as divisas que mais subiram na comparação com o dólar dos Estados Unidos (%)

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Bloomberg

Fora do mercado de moedas, outra opção que tem sido muito procurada pelo mercado é o ouro, que sobe 17% no ano e só perde para a moeda da Suíça.Mas a prata está com tudo: sobe 35%.

Para economistas, dificilmente o dólar voltará a ter a posição hegemônica como moeda de troca e referência que tinha antes da crise de 2008. A tendência é que outras divisas ganhem espaço. Mas os especialistas alertam que, apesar do enfraquecimento, é improvável que a moeda dos EUA seja substituída por outra como reserva de governos e bancos.

Escala e liquidez

A primeira explicação está na própria liquidez da moeda dos Estados Unidos e, apesar de todos os problemas, no tamanho de sua economia. “O dólar é o meio de troca mundial porque, entre outros motivos, tem volume significativo para que isso aconteça”, diz Otto Nogami, professor de economia do Insper. “Em termos de liquidez, ainda é a única moeda disponível em grande escala. Atualmente, não existe outra moeda com volume suficiente para fazer essa substituição.” Além disso, o professor lembra que os Estados Unidos são a maior economia de mercado do mundo, três vezes maior que a segunda economia de mercado, que é o Japão.

Outro motivo que ajuda o dólar a manter seu status é a falta de escala das economias cujas moedas o mercado está comprando. “Os investidores ficam sem saída nesse momento”, afirma. “Com isso, os mais céticos em relação à situação dos EUA acabam migrando para outras opções conservadoras, como ouro e moedas de outros países do primeiro mundo, como o franco suíço e o dólar neo-zelandês." Nogami ressalva, no entanto, que parte dessas fortes altas dessas moedas está justamente ligada à sua liquidez restrita. Quanto menos títulos no mercado, mais caros ficam.

Além da falta de liquidez, José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator, lembra que as economias desses países também são pequenas. “Os investidores compram dólares porque, com esses dólares, podem comprar ativos nos Estados Unidos. O que vão comprar na Suíça? Canivetes e chocolates?”, brinca.”A Suíça simplesmente não agüentaria essa escala toda.”

China ainda não é opção

André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos, também não acredita em substituição do dólar por outras divisas. Na opinião dele, são pequenas, por exemplo, as chances de a China, gigante que vem crescendo a taxas de dois dígitos há anos, passar a ocupar o posto que hoje é dos EUA. “Não vejo um país europeu aceitando formar reservas em Yuan. Há muitos riscos.”

Entre os problemas da China, lembra o professor Nogami, está o fato de ter um regime político totalitário, que levanta receios sobre mudança de regras financeiras de uma hora para outra. “Também duvido do interesse do próprio governo chinês em transformar sua moeda em referência mundial. Quando uma divisa atinge esse patamar, fica mais sujeita a ataques especulativos”, afirma.

Outro fator que segura os investidores nos dólares, lembra Perfeito, é a quantidade de títulos norte-americanos, os treasuries, nas mãos de governos e bancos. A China, por exemplo, é a maior detentora de treasuries do mundo: US$ 1,160 trilhão. O país é seguido por Japão (US$ 912 bilhões), Inglaterra (US$ 346 bilhões), Opep (US$ 229 bilhões) e Brasil (US$ 211 bilhões). “Esses governos vão fazer o quê? Vender e comprar euro, iene?”, questiona Perfeito.

A moeda da Europa, apesar da valorização sobre o dólar, tampouco é vista como opção no curto prazo, em razão dos problemas que vem sendo enfrentados por algumas de suas economias.

Para Gonçalves, do Fator, o mercado ainda não encontrou outro porto seguro. “É muito difícil uma substituição do dólar. Isso só acontecerá se houver um trauma muito grande, o que não consigo enxergar agora.” Ele lembra por exemplo, que a libra inglesa só deixou de ser a moeda referencial depois da primeira guerra mundial, quando o país entrou na luta credor, mas saiu devedor.

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