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Estado já deu origem a bancos gigantes, como Nacional, Real e Unibanco e hoje conta com oito instituições de médio porte

Os mineiros, com toda a discrição, são craques em criar bancos. Foi em Minas Gerais que nasceram instituições que se tornaram gigantes no País, como Unibanco, Real e Nacional. Hoje, há oito instituições de médio porte no Estado. Algumas são mais conhecidas fora das fronteiras, como o BMG e o Mercantil do Brasil , mas há outros bancos com atuação discreta, sem agências expostas ao público, mais voltados para nichos de negócios. É o caso do Pottencial , que atua na área de garantias, e do Semear , que pertence ao grupo Séculus, fabricante de relógios, e atua junto aos varejistas no crédito ao consumo e consignado. Minas conta ainda com o Rural, o Tribanco , o Bonsucesso e o Intermedium .

O Estado é berço de bancos que cresceram por todo o País. O Banco Real, que hoje está nas mãos do espanhol Santander, nasceu em Minas, em 1925, como Banco da Lavoura. O Nacional – que quebrou em 1995 no que se tornou um dos maiores escândalos bancários do País – foi criado em 1951, pelo governador mineiro José de Magalhães Pinto.

Outro representante da dinastia bancária mineira foi o Unibanco, criado em 1924, e que em 2008, em plena crise financeira internacional, uniu-se ao Itaú formando o Itaú Unibanco. As causas dessa vocação não estão bem claras.

Analistas consultados pelo iG concordam que os mineiros têm aptidão para empreender instituições financeiras, mas preferem não apontar uma razão. “O mineiro sempre teve fama de ser tímido, cauteloso”, arrisca Elcio Azevedo, presidente do Banco Semear, que pertence a sua família. “Há uma semelhança com o comportamento dos banqueiros.”

Tradição

Essa tradição de Minas vem de longe. “Se olharmos a história da economia brasileira, vamos encontrar bancos mineiros que surgiram nos anos 1920, 1930 e 1940”, conta João Rabelo, presidente-executivo do Tribanco, instituição com sede no Triângulo Mineiro, voltada para o financiamento das vendas do grupo atacadista Martins e de seus clientes. “Uma grande geração de banqueiros foi forjada em Minas Gerais. São Paulo produzia e Minas financiava”, afirma o paulista que está à frente do banco mineiro há pouco mais de um ano.

Para Rabelo, o grande segredo dos mineiros está na imagem de confiança e tradição. “O segredo é passar confiança e ter equilíbrio. E isso o mineiro tem”, diz o presidente do Tribanco. “Nosso grupo é mineiro e passa essa credibilidade.”

“Minas sempre teve tradição de bancos, pelo estilo do mineiro, mais conservador, com os pés no chão. Atividade bancária não é para qualquer um, não. Você vive de credibilidade”, resume Paulo Henrique Pentagna Guimarães, dono do Banco Bonsucesso. Sua família, inclusive, tem longa experiência na atividade bancária em Minas Gerais. Benjamin Ferreira Guimarães, conhecido como coronel Benjamin, criou o Banco de Minas Gerais em 1930. Ele era bisavô de Paulo Henrique Pentagna Guimarães, que criou o Bonsucesso em 1992 e o batizou com o nome da cidade mineira de nascimento do avô.

O Banco de Minas Gerais foi vendido para o Banco Real em 1973 e os recursos divididos entre todos os familiares. Segundo Paulo Henrique, a negociação com o Real rendeu cerca de US$ 100 milhões em valores da época. Na família, Flávio Pentagna Guimarães criou o Banco BMG, especializado no crédito consignado em 1982. Flávio é filho de um dos casais da segunda geração de descendentes do coronel Benjamin. E Paulo Henrique é filho de um dos casais da terceira geração. Procurado pelo iG por meio da assessoria de imprensa, o BMG não se pronunciou. O Banco Rural também não deu entrevista.