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Analistas acreditam em cortes na taxa básica de juros mais moderados a partir de abril, mas que devem durar mais tempo

Mesmo mantendo as projeções da Selic para o fim deste ano e do próximo, o mercado já espera mais gradualismo do Banco Central na condução da política monetária. Isso significa cortes na taxa básica de juros mais moderados a partir de abril, mas que devem durar mais tempo.

De acordo com a pesquisa Focus do BC divulgada nesta segunda-feira, os economistas consultados mantiveram suas contas para a Selic em 9,50% para o fim de 2012 e em 10,25% para 2013. No entanto, houve mudança na previsão do ritmo das alterações que o BC pode promover na taxa, hoje em 10,50% ao ano.

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As estimativas agora apontam para um corte de 0,50 ponto percentual na Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em março, e de uma redução de 0,25 ponto percentual em abril. Ficaria nesse patamar até julho, quando um novo corte a levaria para 9,63% ao ano e, em agosto, chegaria aos 9,50%.

Até então, o mercado projetava Selic de 9,50 por cento já a partir de abril. O mercado passou a prever, portanto, que a redução da Selic para esse nível será feito por meio de mais quatro cortes na taxa, e não dois, como era previsto até pouco tempo atrás.

O relatório Focus divulgado nesta segunda-feira é o primeiro após a decisão da última quarta-feira, quando o Copom do BC reduziu a Selic em 0,50 ponto percentual, em linha com as previsões dos analistas.

"O pessoal está achando que o quadro lá fora se acomodou e que a atividade econômica interna ganhou força", disse o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Nilton Rosa. "Se isso se confirmar, o BC talvez tenha de ser mais cuidadoso", acrescentou.

Caso o governo apresente um corte de 60 a 70 bilhões de euros no Orçamento deste ano e um superávit primário de aproximadamente 3% do Produto Interno Bruto (PIB), o mercado pode voltar a ajustar suas projeções para uma redução mais acelerada da Selic, segundo os especialistas.

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"Fica claro que o governo vai buscar Selic de um dígito, mas se não vierem medidas fiscais o mercado não vai se convencer", complementou o sócio-gestor da corretora Leme Investimentos Paulo Petrassi.

A presidente Dilma Rousseff sancionou o Orçamento do governo federal para este ano na sexta-feira, abrindo a contagem regressiva para anunciar o contingenciamento do período.

A perspectiva para a inflação no final de 2012 diminuiu ligeiramente no relatório Focus divulgado nesta semana, para 5,29% ao ano, contra 5,30% no relatório anterior, seguindo uma trajetória de reduções milimétricas desde o ínício do ano.

No primeiro Focus de 2012, a projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) era de 5,32% ao ano. Os números estão dentro da meta oficial do governo, de 4,5%, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos.

Leia : Banco Central corta juros para 10,5%, a menor taxa em um ano e meio

De acordo com o Focus, o mercado espera que a inflação caia para 5,00% em 2013, a mesma estimativa trazida pelo relatório da semana passada. Já a projeção para a inflação nos próximos 12 meses baixou de 5,32% na semana passada para 5,30%.

A expectativa de crescimento econômico em 2012 foi mantida em 3,27%. Para 2013, o mercado elevou a previsão de expansão do PIB de 4,20% para 4,25%.

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