Tamanho do texto

Arisco até a oferta da Petrobras, estrangeiro inicia retorno à Bovespa

O mercado de ações brasileiro começa a destravar, depois do fim do processo de capitalização da Petrobras. Responsáveis por boa parte do volume financeiro da Bolsa de Valores de São Paulo (BM&F Bovespa), os investidores gringos iniciam novas apostas em terras tupiniquins. Segundo analistas, as medidas tomadas recentemente pelo governo federal para tentar evitar uma entrada ainda maior de dólares não terão efeito na Bolsa.

O movimento ainda é tímido, mas números da Bovespa dão indícios desta retomada. “O saldo de entradas de estrangeiros era de R$ 3,1 bilhões até outubro. Apenas neste mês, entraram mais R$ 1,2 bilhão”, conta Herculano Aníbal Alves, diretor de renda variável da empresa de gestão de recursos do Bradesco, a Bram. Alves pondera que o volume ainda é pequeno, na comparação com os melhores momentos do mercado acionário brasileiro. Antes, os estrangeiros esperavam o fim da oferta da Petrobras. Agora, aguardam o desfecho final das eleições presidenciais, em 31 de outubro, completa o diretor da Bram.

Gringo de volta

Outro indicador que mostra o retorno é a fatia do investidor estrangeiro no volume financeiro da Bovespa. Pelo menos desde 2005, os capitais estrangeiros vinham respondendo por um terço do giro, algo em torno de 33%. Em 2010, essas fatias caíram para menos de 30%, atingindo a mínima de 25,8% em março. Os números só voltaram à casa dos 30% em setembro, quando saiu a oferta, e se mantiveram em outubro. “Ainda há um apetite generalizado por Brasil”, diz Lika Takahashi, coordenadora de análise de investimento e estrategista da Fator Corretora.

Estrangeiros na Bolsa

Participação do capital externo no volume financeiro, por mês, em 2010

Gerando gráfico...
BM&FBovespa

O retorno dos fluxos estrangeiros para o Brasil também é visto em levantamento semanal feito pela empresa EPFR, que registra as movimentações de fundos no mundo. Segundo a companhia, os mercados emergentes tiveram fluxo positivo de US$ 2 bilhões na semana encerrada em 13 de outubro. O Brasil contou com entrada líquida de US$ 211 milhões.

“Essa recuperação do mercado está ligada a um começo de retorno do estrangeiro, que entrou de maneira tímida na oferta da Petrobras”, conta Reginaldo Alexandre, presidente da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais em São Paulo (Apimec-SP). Nos melhores tempos dos lançamentos de ações no Brasil, em 2007, o estrangeiro chegava a comprar, em média, 70% de toda a oferta. Em Petrobras, entrou com apenas 20% do total.

Um exemplo da falta de interesse do gringo pela oferta foi um anúncio feito pelo bilionário americano George Soros, em meados de agosto, enquanto a operação ainda estava em fase de formação de preço. Em relatório enviado à Securities Exchange Comission (SEC), xerife do mercado de capitais americano, os administradores de um fundo dele declararam que em 30 de junho não tinham mais nenhum papel da companhia em sua carteira. As incertezas sobre a capitalização foram o motivo da retirada.

À espera da oferta da Petrobras, muitos aplicadores retiraram recursos da Bovespa ao longo deste ano. Prova disso foi o comportamento do principal índice da praça paulista, o Ibovespa, até 24 de setembro, data da divulgação do preço das ações na operação da empresa: uma bolsa apática, com queda de 0,57%.

Depois disso, a tendência foi de alta. A valorização entre o dia 24 de setembro e o dia 15 de outubro, a última sexta-feira, foi de 5,3%. Logo em seguida, a China anunciou sua alta de juros, o que provocou correção. Quando um País eleva juros, atrai capital para si, o que pode provocar transferência de recursos. Na terça-feira, a Bovespa sentiu esse movimento e caiu 2,61%. Mas na quarta-feira já se recuperava, e subia 0,77%. No acumulado, ainda há alta de 3,2%.

    Leia tudo sobre: bovespa
    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.