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"O movimento está exagerado, mas também não dá para ficar na frente do trem", diz gestor da Leme Investimentos

SÃO PAULO - O mercado de juros futuros não para nem para respirar. O movimento é unidirecional e cada vez com mais força para baixo. Tudo bem que a situação externa é bastante incerta e que o crescimento global e local será menor, mas tamanha movimentação nos juros futuros foge completamente à racionalidade. 

Nunca é demais lembrar que duas semanas atrás se discutia quantas elevações mais seriam necessárias na Selic. Já hoje, olhando o contrato de juro com vencimento em julho de 2012 vemos um ciclo de corte 1,25 ponto percentual no juro básico.

Segundo o sócio-gestor da Leme Investimentos, Paulo Petrassi, a estrutura a termo sugere corte de juros em outubro, dezembro, janeiro, março e abril.

“Não dá para acreditar nisso. De fato, o movimento está exagerado, mas também não dá para ficar na frente do trem”, diz o gestor, apontando que por mais que seja tentador montar uma posição contrária a esse movimento, o risco, por ora, não compensa.

Segundo Petrassi e outros agentes de mercado, cresce a percepção de que o mercado de juros é a melhor opção de hegde (proteção) contra uma degradação ainda maior de cenário. O investidor quer garantir uma taxa no mercado pré-fixado para se proteger da queda da bolsa e da alta do dólar.

“Isso é um perigo, pois o mercado para de olhar os fundamentos clássicos de juros”, avalia Petrassi.

No mercado externo o movimento é o mesmo. O temor com uma recessão derrubou as taxas dos papéis americanos de 10 anos para mínimas históricas, abaixo de 2%.

Antes do ajuste final de posições na BM&F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em setembro de 2011 subia 0,01 ponto percentual, a 12,39%. Outubro de 2011 apontava queda de 0,04 ponto, a 12,33%. Novembro de 2011 marcava 12,28%, também baixa de 0,04 ponto. Janeiro de 2012 projetava 12,11%, queda de 0,14 pontos. E julho de 2012 devolvia 0,20 ponto, a 11,77%.

Entre os contratos mais longos, janeiro de 2013, o mais líquido do dia, apontava baixa de 0,24 ponto, a 11,49%. Esse contrato abriu o mês em 12,70%. Janeiro de 2014 registrava desvalorização de 0,20 ponto, a 11,45%. Janeiro de 2015 tinha queda de 0,17 ponto, a 11,48%. Janeiro de 2016 caía 0,15 ponto, a 11,49%. E janeiro de 2017 projetava 11,47%, perda de 0,14 ponto.

Até as 16h10, foram negociados 2.557.600 contratos, equivalentes a R$ 227,08 bilhões (US$ 143,45 bilhões), alta de 66% sobre o registrado no pregão anterior. O vencimento janeiro de 2013 foi o mais negociado, com 646.600 contratos, equivalentes a R$ 55,70 bilhões (US$ 35,19 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor)

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