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Com crise, industria de fundos ibero-americana perde clientes, mas patrimonio cresce

A indústria ibero-americana de fundos luta para se expandir e popularizar, mas a realidade pós-crise mostra que as aplicações estão mais elitistas. De 2008 até agora, o número de clientes que investem via fundos caiu 11%, para 14,2 milhões de pessoas, conta Victor Chacón, diretor executivo da Câmara Nacional de Sociedade de Fondos de Inversión da Costa Rica. Apesar desse recuo, o executivo diz que os ativos sob gestão se recuperaram e voltaram a patamares pré-crise, atingindo US$ 1,42 trilhão.

Em apresentação durante o 5º Congresso da Federação Ibero-Americana de Fundos de Investimento, Chacón afirmou ainda que, no Brasil, o patrimônio por cliente cresce sem parar, passando de US$ 15 mil em 2002 para US$ 91,3 mil no ano passado. Nos Estados Unidos, a média é de US$ 45 mil e, na Espanha, de US$ 39,1 mil por investidor.

Euridson Sá, representante da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), diz que o investidor com maior poder aquisitivo, conhecido como private, foi o que mais aplicou nos últimos cinco anos. "Os investimentos de private triplicaram", conta, adiantando um pouco dos números que serão divulgados nesta quarta-feira, durante pesquisa em Congresso da Anbima sobre fundos. Os aportes feitos por empresas também melhoraram e, segundo Sá, estão ligados à melhora econômica do país, que deixou mais dinheiro disponível para aplicações.

A concentração da própria indústria também foi comentada por Otávio Yazbek, diretor da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). "Temos algumas ilhas onde há muita competição mas, em geral, a maioria dos fundos está atrelada a grandes instituições." Ele diz que a autarquia está trabalhando para melhorar essa situação, e tem duas instruções no forno nesse sentido.

A ideia é elevar a transparência por meio da exigência de divulgação de balanços dos fundos, e também de uma lâmina sucinta sobre as características de um fundo, na ocasião de seu lançamento. "A padronização das informações e a venda de um fundo com um conteúdo explicatório mínimo devem facilitar o entendimento da indústria pelo investidor de varejo."

Educação e custos

O diretor costa-riquenho atribui a uma educação financeira que ainda deixa a desejar essa nova configuração dos clientes de fundos ibero-americanos. "Somos diferentes dos norte-americanos, que retiram seus recursos em momentos de crise, pois estão assustados, mas retornam assim que a situação fica mais clara e segura." De acordo com ele, os ibero-americanos demoram mais a voltar porque não estão suficientemente acostumados com os sustos dos mercados e da renda variável, nem possuem ainda informação suficiente sobre como lidar com esses reveses.

Outro ponto levantado por Chacón é a ampliação de regulação que resulta de momentos de crise. "Depois de problemas, os reguladores apertam a fiscalização e, quando isso acontece, os custos de se manter os fundos também aumentam", diz. Com isso, apenas os maiores sobrevivem, e conseguem oferecer retornos adequados aos clientes. Ele conta que, na Costa Rica, o custo dos fundos para clientes duplicou de 2004 a 2010.