Tamanho do texto

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, avaliou nesta quarta-feira, durante apresentação no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), que o governo conseguiu evitar uma bolha no mercado acionário e a sobrevalorização da taxa de câmbio. Evitamos uma bolha. O objetivo é um crescimento forte (do mercado acionário). Temos como evitar essa bolha, disse.

_CSEMBEDTYPE_=inclusion&_PAGENAME_=economia%2FMiGComponente_C%2FConteudoRelacionadoFoto&_cid_=1237575473131&_c_=MiGComponente_C

O ministro destacou que, em outubro, quando o governo resolveu taxar em 2% com o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) a entrada do capital estrangeiro, a taxa de câmbio estava em R$ 1,70, com a perspectiva de uma queda para R$ 1,60 ou R$ 1,50, o que, segundo ele, seria muito ruim para a economia brasileira.

Mantega avaliou que o governo conseguiu estancar esse processo e lembrou que hoje a taxa de câmbio está em R$ 1,76, valor maior do que quando a taxação do IOF foi adotada. "Demos uma certa estabilidade. Não é a ideal. Estancamos esse processo, que seria muito ruim para o País", disse. O ministro avaliou ainda que o Brasil tem baixa vulnerabilidade externa, o que dá condições para prosseguir no ciclo econômico de crescimento sustentável. Ele disse que esse crescimento é possível sem promover desequilíbrios.

Sem citar a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que se encerra nesta quarta-feira, o ministro previu que a inflação ficará abaixo do centro da meta (4,5%) em 2009 e, no próximo ano, deverá ficar abaixo ou dentro da meta. Aos críticos da política fiscal, o ministro da Fazenda destacou que o governo trabalha com responsabilidade fiscal e assegurou que o governo vai cumprir a meta de superávit primário das contas do setor público de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009 e de 3,3% do PIB em 2010. Mantega não informou se o governo vai utilizar os mecanismos que permitem o abatimento da meta. O ministro avaliou ainda que a dívida pública vai continuar caindo e que o Brasil será um dos países com menor déficit entre os países do G-20 (grupo das 20 maiores economias do mundo).

Medidas

Não houve tempo para o Ministério da Fazenda corrigir no Power Point e no papel distribuído à imprensa o prazo de vigência das linhas de financiamento de bens de capital (máquinas e equipamentos), com taxas de juros de 4,5%. A proposta inicial era de prorrogação até março, e não até junho, como divulgou o governo nesta quarta-feira. A decisão de estender o prazo para junho, segundo o ministro da Fazenda, foi tomada ontem à noite pelo governo, o que provocou aplausos dos integrantes do CDES. Segundo o ministro, essa linha, criada no ano passado, está dando muito certo e depois de junho o governo vai discutir o que fará com ela.

Mantega informou que na próxima reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN) será aprovada a decisão anunciada hoje, que vai permitir aos bancos o lançamento de debêntures (títulos de renda fixa emitidos por sociedade anônima para tomar empréstimo no mercado). A medida, segundo o ministro, garantirá aos bancos uma oportunidade para captar recursos de longo prazo e, desta forma, também fazer empréstimos de longo prazo com taxas menores. Com essa medida, segundo Mantega, os bancos privados poderão se juntar aos bancos públicos na oferta de crédito de longo prazo. "Foi combinado com o BC, naturalmente", disse Mantega. Sobre a decisão de fazer aporte de R$ 15 bilhões ao Fundo de Marinha Mercante, Mantega disse que os recursos vão permitir o financiamento de plataformas de perfuração de petróleo.

'Mão-de-vaca'

Mantega provocou risos entre os participantes da reunião do CDES ao contar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva o havia chamado de "mão-de-vaca" por ter liberado R$ 80 bilhões ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para uma nova linha de financiamento de crédito para o setor produtivo. A linha estava sendo anunciada pelo ministro quando Lula, sentado à Mesa do Conselho, riu e colocou as duas mãos na cabeça. No ano passado, o governo havia concedido empréstimo de R$ 100 bilhões ao BNDES.

Leia mais sobre Mantega

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.