Tamanho do texto

Bradesco, Itaú, Banco do Brasil e Santander melhoraram o resultado no trimestre; no ano, lucro acumulado é de R$ 29 bilhões

Os quatro grandes bancos brasileiros com ações em Bolsa de Valores fecharam o terceiro trimestre com lucro líquido de R$ 10,2 bilhões. O número representa um salto de 32% sobre o que Bradesco, Banco do Brasil, Itaú Unibanco e Santander lucraram no terceiro trimestre de 2009, um total R$ 7,7 bilhões. “Os bancos estão em um momento bastante positivo”, afirma Victor de Figueiredo Martins, analistas do setor bancário da Planner Corretora. “Os quatro devem apresentar, inclusive, uma melhora nos resultados do quarto trimestre.”

Martins estima que os lucros dos grandes bancos crescerá entre 5% e 10% em relação ao terceiro trimestre deste ano. O Banco do Brasil, por exemplo, que lucrou R$ 2,6 bilhões de julho a setembro, mostrou um aumento de 10,8% sobre os números do segundo trimestre deste ano. “Como os bancos compram e vendem dinheiro, com a melhoria da atividade econômica do País, eles ganham mais”, diz o analista.

Ganhos em alta

Resultado trimestral dos quatro grandes bancos com ações em Bolsa, em R$ bilhões

Gerando gráfico...
Fonte: Banco do Brasil, Bradesco, Santander, Itaú Unibanco

No acumulado dos nove meses do ano, o ganho somado dos quatro bancos chega a R$ 29,17 bilhões, com uma elevação de 30,5% em comparação com os resultados recorrentes do ano passado. Os lucros recorrentes excluem efeitos extraordinários que afetam o resultado da instituição, como determinados ágios e impostos.

Martins atribui a melhora no resultado das grandes instituições ao aumento nas operações de crédito, que têm crescido graças ao incremento da renda das famílias e dado um fôlego maior ao consumo. Tudo isso somado à redução das taxas de juros e à queda na inadimplência. “Tudo conspira a favor dos bancos”, afirma.

Retorno

O analista destaca, no entanto, que o retorno sobre o PL, ou seja, quanto o lucro representa em relação ao patrimônio líquido dos bancos tem diminuído em relação há alguns anos. “Hoje, os retornos estão na faixa dos 25%, como o do Banco do Brasil, de 25,7%; o Bradesco, de 24%; Itaú, com 24,5% e o Santander, um pouco abaixo com 19%. No passado, o Banco do Brasil já teve 30% de retorno, mas esses níveis de 25% a 30% ficaram no passado. A tônica agora é ganhar menos com mais clientes”, avalia.

Os dados do balanço do Banco do Brasil mostram que a receita com as operações de crédito somaram R$ 14,3 bilhões no terceiro trimestre, cerca de 40% acima dos R$ 10,6 bilhões do mesmo trimestre de 2009. “O núcleo do resultado é proveniente da intermediação financeira e das operações de crédito”, disse Ivan Monteiro, vice-presidente de relações com investidores do BB, durante a divulgação do balanço, ontem.

A carteira de crédito do BB fechou o trimestre em R$ 339,8 bilhões, com uma alta de 19% sobre o fechamento de setembro de 2009. Os empréstimos para pessoas físicas aumentaram 25%, fazendo com que o saldo passasse de R$ 85,7 bilhões de julho a setembro de 2009 para R$ 107,4 bilhões. Segundo informações do banco, ele mantém sua participação no mercado na faixa de 20%, isso levando em consideração todas as linhas de crédito. Na pessoa física, esse percentual sobe para 22,7%.

Um dos fatores que contribuiu para a expansão da carteira do BB foi a operação de veículos, incrementada com a compra de 49% do Banco Votorantim, no início do ano passado. Segundo informações do banco, a carteira de veículos teve aumento de 11,1% no terceiro trimestre. “A produção do Votorantim mudou bastante. Ela passou de um nível mensal de R$ 1,2 bilhão a R$ 1,4 bilhão para a casa dos R$ 3 bilhões. Discutimos muito para que ele (o banco) ficasse mais focado em carros novos e isso aconteceu. Hoje, a maior fatia dos financiamentos é de carros zero-quilômetro”, afirma Monteiro.

Veículos

O Itaú Unibanco também deu destaque às carteiras voltadas para a compra de veículos. Segundo Rogério Calderon, diretor de relações com investidores do banco, a carteira para a pessoa física somou R$ 118,8 bilhões ao final do trimestre, com crescimento de 16% na comparação com o mesmo trimestre de 2009. “A principal linha foi de veículos, com R$ 57 bilhões, seguida por cartões de crédito, com R$ 30 bilhões”, afirmou durante a divulgação do balanço. A carteira total da instituição aumentou 16,6% sobre 2009, totalizando R$ 313 bilhões. O lucro do Itaú cresceu 17,5%, para R$ 3,158 bilhões.

“O aumento da renda da população e a perspectiva de mais consumo têm demandado mais operações de crédito”, disse Domingos Abreu, vice-presidente do Bradesco, durante a divulgação do balanço trimestral, para justificar o lucro ajustado de R$ 2,518 bilhões, 40,3% maior que o R$ 1,795 bilhão do mesmo período do ano anterior. A carteira de crédito total do banco cresceu 18,6% na comparação anual, para R$ 255,6 bilhões.

A carteira de crédito do Santander fechou o trimestre em R$ 154 bilhões, com incremento de 15,8% sobre o mesmo período de 2009. O maior crescimento veio das linhas para grandes empresas, com alta de 24,2%, para R$ 43,47 bilhões. O Santander obteve lucro líquido de R$ 1,935 bilhão no trimestre, com alta de mais de 31% sobre o mesmo trimestre do ano passado.