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"Sem isso, fica muito difícil atrair o investidor internacional", afirmou o vice-presidente de Mercado de Dívida do Santander

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Criar liquidez no mercado secundário de debêntures é o grande desafio para ampliar as emissões de títulos privados de renda fixa no Brasil. "Sem isso, fica muito difícil atrair o investidor internacional", afirmou Luciano Gurgel, vice-presidente de Mercado de Dívida do Santander.

Ele ressaltou, porém, que estão avançando as negociações entre o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Associação Brasileira dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) para criar fundos que garantam liquidez ao mercado, comprando e vendendo esses papéis. "Esses fundos ainda não estão formatados, mas estão sendo discutidos", afirmou.

Um deles seria o Fundo de Apoio à Liquidez (FAL), que estimularia o mercado em uma fase de transição. A ideia é que o patrimônio desse fundo seja composto por recursos públicos e privados, como por exemplo até 3% dos depósitos compulsórios recolhidos pelos bancos. O outro fundo seria o Fundo Garantidor de Liquidez (FGL), que atuaria em momentos de aperto de liquidez. "Este fundo teria uma característica mais emergencial", diz.

De acordo com Gurgel, a maior dificuldade é conseguir patrimônio para esses fundos. "Quem serão os cotistas deles, já que aplicar nesses fundos é um investimento sem liquidez?"

Outro ponto que representa uma barreira para a ampliação do mercado de debêntures é a questão da cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), de 6%, assim que o investidor estrangeiro aporta seus recursos no Brasil. "Isso representa um custo extra para esse investidor de cerca de 1% ao ano nas aplicações de longo prazo", diz o executivo do Santander.

O superintendente de Produtos de Renda Fixa do Bradesco BBI, Orlando Graça Júnior, disse que o interesse dos bancos por papéis como debêntures vem crescendo, mas ainda de forma lenta. Segundo dados apresentados por ele, em 2005, os títulos privados respondiam por 19% da carteira dos administradores de recursos no Brasil, e no ano passado chegaram a 22%. "Há muita procura por parte dos investidores, mas isso ainda está restrito aos grandes investidores. É pequena a participação de pessoas físicas", afirmou.

Ambos os executivos participaram hoje do seminário "Debêntures: Desafios e Oportunidades do Novo Mercado de Renda Fixa", em São Paulo.

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