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Relatório do Tribunal de Falências aponta que seis filiais do banco estavam inadimplentes quatro meses antes da concordata

Nova York, 14 abr (EFE).- O gigante bancário americano Lehman Brothers já era insolvente vários meses antes de declarar quebra em setembro de 2008, segundo um relatório de um tribunal de falências de Nova York divulgado nesta quarta-feira. O documento tem centenas de páginas elaboradas a pedido da corte pelo auditor Anton Valukas. Ele foi divulgado depois que um juiz nova-iorquino permitiu sua publicação e afirma que ao menos seis filiais da entidade eram insolventes ou estava a ponto de ser no dia 31 de maio de 2008.

Além disso, ressalta que o banco dispunha de muito pouco capital para seguir operando já em junho desse mesmo ano e que sua unidade dedicada à dívida a curto prazo, com a qual se costumam financiar as empresas para suas atividades diárias, não tinha como pagar suas dívidas desde fevereiro de 2008.

O magistrado James Peck permitiu nesta quarta-feira que várias partes do relatório saíssem à luz finalmente, apesar do grupo CME, que se fez com numerosos negócios de Lehman, ter pedido a confidencialidade do documento em que também se detalham os preços que pagou por eles em um leilão. Entre as companhias que adquiriram os bens de Lehman estão os bancos Goldman Sachs e Barclays, empresas que, junto a CME, pagaram números inferiores a seu valor, algo que o relatório indica que poderia supor uma atividade fraudulenta, que daria oportunidade da entidade batalhar agora nos tribunais.

Por enquanto, o Lehman Brothers apresentou em Nova York um processo contra a Administração americana com o qual pretende recuperar US$ 110 milhões que, na sua opinião, pagou em impostos e em multas relacionadas com seus ativos em 1999 e 2000. Nos últimos dias novos detalhes de como funcionava o gigante bancário vieram à tona como a utilização de uma pequena empresa de investimentos, Hudson Castle, para canalizar bilhões de dólares antes que a crise financeira explodisse e que maquiou suas contas para esconder seu estado econômico.

O Lehman Brothers, com 158 anos de história, foi uma das vítimas fulminantes das hipotecas lixo (as subprime) e teve que declarar quebra há dois anos, ao não obter respaldo da Administração do ex-presidente George W. Bush (2001-2009) para se manter com dinheiro público.

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