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SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros de longo prazo passaram por firme ajuste de alta no pregão desta quinta-feira

. Entre os fatores que explicam tal movimentação, o estrategista de renda fixa da Coinvalores, Paulo Nepomuceno, aponta para a melhora de humor externo. Toda a vez que o tom é mais otimista, a avaliação com relação a atividade econômica mundial muda para melhor, o que pode resultar e mais trabalho para o Banco Central (BC). Além do alívio com relação à Grécia, a economia dos Estados Unidos deu a primeira indicação que pode estar retomando o ritmo de crescimento. O índice de atividade na Região de Chicago subiu a 61,1 pontos em junho, contrariando previsão de queda para 54 pontos. Esses dois fatores dão sustentação à taxa de juros também nos Estados Unidos. A taxa do papel de 10 anos, que estava próximo de mínimas não vistas desde dezembro do ano passado, sobe para linha de 3,14%, maior leitura em um mês. Pelo lado doméstico, Nepomuceno chama atenção a fatores técnicos do mercado de juros. Alguns investidores estavam mal posicionados na curva, ou seja, esperavam que a baixa nas taxas se prolongasse. No entanto, o repique de hoje pega esses agentes no "pé trocado" e eles se são obrigados a sair da posição vendida, o que obrigatoriamente resulta em compra. Para o sócio-gestor da Leme Investimento, Paulo Petrassi, parece que o mercado segue repercutindo o Relatório de Inflação de ontem. Diversas casas de investimento soltaram hoje avaliações sobre o documento. Para Petrassi, cresce a percepção de que o BC subirá os juros também em agosto. No encontro de julho do Comitê de Política Monetária (Copom) a alta da Selic já era dada como certa. Ainda de acordo com o especialista, a curva futura embute probabilidade superior a 50% para uma elevação de 0,25 ponto na Selic no encontro de agosto do Comitê de Política Monetária (Copom). Pelo lado da atividade, o gestor aponta para o aumento de 9,12% na venda de papelão ondulado de abril para maio. O indicador serve de termômetro para o nível de atividade. Na comparação anual, no entanto, as vendas caíram 0,76%. O dia também contou com a reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN). Conforme o esperado, a meta de inflação de 2013 permanece em 4,5%, com banda de dois pontos para mais e para menos. Antes do ajuste final de posições na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em julho de 2011 apontava alta de 0,02 ponto percentual, a 12,13%. Outubro de 2011 marcava alta de 0,02 ponto, a 12,36%. E janeiro de 2012 ganhava 0,01 ponto percentual, a 12,46%. Entre os contratos mais longos, janeiro de 2013, o mais líquido do dia, mostrava alta de 0,09 ponto, a 12,69%, maior taxa desde o começo de maio. Janeiro de 2014 ganhava 0,09 ponto, a 12,63%. Janeiro de 2015 avançava 0,07 ponto, a 12,55%. Janeiro de 2016 acumulava 0,07 ponto, a 12,46%. E janeiro de 2017 projetava 12,36%, alta de 0,08 ponto. Até as 16h10, foram negociados 1.072.847 contratos, equivalentes a R$ 90,93 bilhões (US$ 57,62 bilhões), alta de 34% sobre o registrado no pregão anterior. O vencimento janeiro de 2013 foi o mais negociado, com 364.770 contratos, equivalentes a R$ 30,49 bilhões (US$ 19,38 bilhões). Na gestão do endividamento público, o Tesouro vendeu 4,275 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN) a R$ 3,33 bilhões. (Eduardo Campos | Valor)

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