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No curto prazo, taxas mantiveram-se estáveis, precificando alta de 0,25 ponto na Selic, antes da decisão do Copom

Os contratos de juros futuros de longo prazo marcaram novo pregão de baixa na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), enquanto os vencimentos curtos rondam a estabilidade, conforme os agentes se preparam para a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom).

Ainda hoje, o colegiado do Banco Central (BC) apresenta sua decisão. E o consenso é de nova elevação de 0,25 ponto percentual, trazendo a Selic de 12% para 12,25% ao ano. O foco recai sobre o comunicado. Os agentes querem saber se o termo "suficientemente prolongado" será mantido quando o BC fala do ajuste das condições monetárias. A manutenção desse termo indicaria que novas altas devem vir, enquanto sua supressão reforçaria a ideia de encerramento ou pausa no ciclo de aperto.

O comunicado na reunião do dia 20 de abril apresentou a seguinte redação: "Considerando o balanço de riscos para a inflação, o ritmo ainda incerto de moderação da atividade doméstica, bem como a complexidade que ora envolve o ambiente internacional, o Comitê entende que, neste momento, a implementação de ajustes das condições monetárias por um período suficientemente prolongado é a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta em 2012."

A política também esteve em pauta no dia. Para um economista que preferiu não se identificar, a queda do agora ex-ministro da Casa Civil Antonio Palocci foi recebida com certo alívio pelo mercado. Até então, diz o especialista, a postura dos agentes era mais cautelosa, pois a permanência do ministro no cargo representava uma variável de risco. "Fora isso, não se espera grande diferença na condução da economia", disse.

Palocci caiu ontem , após 24 dias sobe pressão da oposição, da mídia e do próprio partido, o PT, depois que foi revelado um aumento de patrimônio de 20 vezes em quatro anos. Quem assumiu o posto foi a senadora Gleisi Hoffman (PT-PR), que promete uma gestão técnica do ministério.

De volta às questões de mercado, parte da quedas nos vencimentos longos tem relação com o mercado internacional de juros. Conforme cresce o pessimismo com relação à economia americana, as taxas de juros recuam nos Estados Unidos. O título de 10 anos voltou a apresentar taxa inferior a 3%, próxima de mínimas não vistas desde dezembro do ano passado.

Antes do ajuste final de posições na BM&F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em julho de 2011 apontava alta de 0,02 ponto percentual, a 12,13%. Outubro de 2011 caía 0,01 ponto percentual, a 12,29%. E janeiro de 2012, o mais líquido do dia, operava com estabilidade a 12,39%. Entre os contratos mais longos o viés foi de baixa, janeiro de 2013 mostrava queda de 0,05 ponto, a 12,48%. Janeiro de 2014 recuava 0,07 ponto, a 12,37%. Janeiro de 2015 perdia 0,06 ponto, a 12,37%. Janeiro de 2016 projetava 12,29%, também baixa de 0,06 ponto. E janeiro de 2017 valia 12,18%, perda de 0,10 ponto.

Até as 16h10, foram negociados 991.768 contratos, equivalentes a R$ 87,60 bilhões (US$ 55,57 bilhões), alta de 29%, sobre o registrado no pregão anterior. O vencimento janeiro de 2012 foi o mais negociado, com 205.891 contratos, equivalentes a R$ 19,26 bilhões (US$ 12,22 bilhões).

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