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Taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro encerraram majoritariamente em queda, em especial os juros para o início de 2013

A ata do Comitê de Política Monetária (Copom) surpreendeu o mercado. A autoridade monetária foi explicita ao atribuir "elevada probabilidade à concretização de um cenário que contempla a taxa Selic se deslocando para patamares de um dígito". De fato, a grande revelação da ata está nos parágrafos 33, 34 e 35, onde o BC justifica que mudanças estruturais de caráter duradouro justificam uma taxa de juros menor.

Segundo o economista para América Latina do Standard Chartered, Ítalo Lombardi, com tal acento do BC está dado que a taxa básica de juros vai, no mínimo, a 9,75%. A visão do banco continua sendo de taxa em 9,5%. Atualmente, a taxa básica é de 10,50% ao ano. Além dos fatores domésticos, não se pode desprezar a conjuntura externa na tomada de decisão da autoridade monetária.

Leia : Copom vê elevada probabilidade de juro básico de um dígito

Segundo Lombardi, em um ambiente global em que as taxas de juros estão baixas e vão permanecer baixas é natural que os BCs de economias emergentes também tenham uma política monetária menos restritiva. Entre as inúmeras questões envolvidas, uma é velha conhecida nossa: a arbitragem de taxa de juros (carry trade) e suas consequências sobre taxa de câmbio, exportações e competitividade industrial.

Fora isso, o fato de Estados Unidos e Zona do Euro estarem sinalizando essa postura expansionista de política monetária mostra que a situação da economia mundial é bastante delicada. Para Lombardi, o Banco Central está jogando conforme esse quadro mundial. A questão, agora, é saber se o BC consegue manter a Selic em um dígito por longo período de tempo sem ter problemas com a inflação.

Para Lombardi, o mercado já trabalha com alta de juros no começo de 2013. Se o quadro externo melhorar no decorrer do ano não é possível descartar uma reversão dos cortes na Selic já no fim de 2012. Ainda de acordo com o economista, 2012 já está praticamente dado, o crescimento será menor do que no ano passado e a inflação vai ficar mais próxima do centro da meta.

O que interessa, mesmo, é 2013, pois conforme o BC atua o impacto das ações vai se alongando no tempo em decorrência da defasagem entre a tomada de decisão e seu impacto no lado real da economia. O economista-sênior para a América Latina da empresa de análises de mercado 4Cast, Pedro Tuesta, tem visão parecida. A questão é saber por quanto tempo esse juro de um dígito se mostra condizendo com inflação dentro da meta.

Na avaliação de Tuesta, o BC parece confortável com uma inflação entre 5% e 5,5% e quanto mais tempo o IPCA permanecer dentro dessa banda, mais difícil será para o país reduzir sua taxa de juro de forma sustentável. Na BM&F, as taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) encerraram majoritariamente em queda, em especial os juros para o início de 2013, que apuraram o maior giro financeiro.

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Antes do ajuste final de posições na BM&F, o contrato com vencimento em fevereiro de 2012 mostrava estabilidade a 10,33%. Março de 2012 também estava estável a 10,33%. Abril de 2012 mostrava baixa de 0,01 ponto, a 10,17%. E julho 2012 marcava 9,84%, queda de 0,11 ponto. Entre os longos o ajuste foi mais acentuado. Janeiro de 2013 recuava 0,17 ponto, projetando 9,66%.

Janeiro 2014 perdia 0,19 ponto, a 10,21%. Janeiro 2015 também devolvia 0,19 ponto, a 10,65%. Janeiro 2016 caía 0,15 ponto, a 10,92%. E janeiro 2017 se desvalorizava 0,11 ponto, a 10,99%. Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 1.697.225 contratos, com giro financeiro de R$ 152,09 bilhões (US$ 87,46 bilhões). O vencimento mais líquido do dia foi o janeiro de 2013 com 537.238 contratos negociados e giro de R$ 49,32 bilhões (US$ 28,36 bilhões).

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