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SÃO PAULO - Depois de três dias de firme acúmulo de prêmios de risco, os contratos de juros futuros encerram a terça-feira apontando para baixo na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F)

SÃO PAULO - Depois de três dias de firme acúmulo de prêmios de risco, os contratos de juros futuros encerram a terça-feira apontando para baixo na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F). Cabe lembrar que a devolução de prêmios começou no ajuste final de posições do pregão de terça-feira, depois que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, negou que o governo estuda voltar a cobrar Imposto de Renda dos investidores estrangeiros que compram títulos públicos. Segundo o economista-chefe do Banco Schahin, Sílvio Campos Neto, as declarações feitas ontem pelo ministro Mantega ajudaram no movimento de baixa dos vencimentos. Mas o especialista enxerga, também, um componente técnico na movimentação, ou seja, havia espaço para uma correção depois do acentuado movimento de alta. Antes do ajuste final de posições, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2012, o mais líquido do dia, apontava baixa de 0,04 ponto, a 11,34%. Janeiro de 2013 mostrava desvalorização de 0,07 ponto, a 11,80%. Janeiro de 2014 perdia 0,10 ponto, a 11,78%. E janeiro de 2015 devolvia de 0,17 ponto, a 11,73%. Entre os curtos, novembro de 2010 operava estável a 10,63%. Dezembro de 2010 também marcava estabilidade a 10,64%. E janeiro de 2011 projetava 10,65%, sem alteração. Até as 16h10, foram negociados 753.940 contratos, equivalentes a R$ 63,37 bilhões (US$ 37,22 bilhões), alta de 14% sobre o registrado no pregão anterior. O vencimento janeiro de 2012 foi o mais negociado, com 223.465 contratos, equivalentes a R$ 19,67 bilhões (US$ 11,55 bilhões). Ainda de acordo com Campos Neto, o mercado aguarda a divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que acontece na quinta-feira. Apesar das expectativas que cercam a divulgação, o documento não deve alterar a percepção de curtíssimo prazo de manutenção da taxa Selic em 10,75%. Dentro da ata, atenção aos comentários do BC sobre inflação, que sobe firme e isso ocorre não só por causa dos alimentos, e sobre o comportamento do mercado de trabalho, que segue bastante forte. "Pode ser que o BC comece a sinalizar um pouco mais de cautela." O especialista também destaca que a grande dúvida que paira sobre o mercado é qual será o rumo da política monetária em 2011. Apesar de a curva carregar prêmio, sinalização elevação da Selic, não há consenso dentro sobre qual será a postura do Banco Central. Na agenda do dia, o Banco Central (BC) mostrou que o volume global de crédito do sistema financeiro subiu 1,8% em setembro, para R$ 1,612 trilhão, novo recorde. A soma corresponde a 46,7% do Produto Interno Bruto (PIB). Em agosto deste ano, o estoque de empréstimo se encontrava em R$ 1,584 trilhão, ou 46,2% do PIB (revisado). O BC também mostrou que o juro bancário médio nos empréstimos a pessoas físicas caiu pelo oitavo mês seguido, para 39,4% ao ano em setembro, o menor da série iniciada em julho de 1994. Também foi divulgado que o governo central apresentou superávit primário de R$ 26,1 bilhões em setembro. Um mês antes, o resultado das contas do Tesouro Nacional, INSS e Banco Central (BC) foi positivo em R$ 4 bilhões. O resultado é recorde e foi obtido com ajuda da operação de capitalização da Petrobras. Não fosse esse fato extraordinário, o resultado no mês seria negativo em R$ 5,9 bilhões. (Eduardo Campos | Valor)

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