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SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros recuperaram as perdas do começo do dia e fecharam a quarta-feira com leve viés de alta

. O movimento se assemelha ao registrado no mercado externo, em que as taxas americanas também se afastaram das mínimas do dia mas não mostraram força para registrar alta. Independentemente da volatilidade intradia, o que a estrutura a termo da taxa de juros continua mostrando é a probabilidade de uma redução da Selic já no encontro de agosto do Comitê de Política Monetária (Copom). Para o economista-sênior do Espirito Santo Investment Bank, Flávio Serrano, há um pouco de exagero nesse desenho do mercado. A parada no ciclo de alta é certa, mas já apostar em queda seria um tanto precipitado. "Não vejo o Banco Central obrigado a cortar juros. A dinâmica doméstica é muito robusta", pondera. Na avaliação de Serrano, essa forte deterioração de perspectivas externas terá desdobramentos locais, mas não são imediatos. O quadro aqui seria de desaceleração na margem, não de uma parada brusca como observado em 2008. Entre os pilares de sustentação doméstica, o ressaltado pelo economista é o mercado de trabalho, em que a taxa de desemprego estaria cerca de 1 ponto percentual abaixo do considerado natural. Fora isso, o rendimento real do trabalho ainda é crescente. "Perdemos dinamismo, mas, ainda assim, seguimos com descompasso de oferta e demanda", explica Serrano, apontando que o Produto Interno Bruto (PIB) do ano ainda está mais para alta de 4% do que para 3,5%. Por isso, o cenário do especialista continua o mesmo: corte de juros no fim de 2012. A avaliação descarta a configuração de alguma catástrofe externa, que sem sombra de dúvida levaria o BC a antecipar uma redução da Selic. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), antes do ajuste final de posições na BM&F , o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em setembro de 2011 perdia 0,01 ponto percentual, a 12,39%. Outubro de 2011 apontava alta de 0,02 ponto percentual, a 12,37%. Novembro de 2011 ganhava 0,05 ponto, a 12,33%. E janeiro de 2012 projetava 12,28%, alta de 0,01 ponto. Entre os contratos mais longos, janeiro de 2013, o mais líquido do dia, apontava alta de 0,02 ponto, a 11,89, depois de cair a 11,75%. Janeiro de 2014 registrava valorização de 0,01 ponto, a 11,93%. Janeiro de 2015 tinha aumento de 0,03 ponto, a 12,05%. Janeiro de 2016 destoava e caía 0,01 ponto, a 12,03%. E janeiro de 2017 projetava 12,06%, ganho de 0,02 ponto. Até as 16h10, foram negociados 1.630.145 contratos, equivalentes a R$ 141,56 bilhões (US$ 86,66 bilhões), queda de 8% sobre o registrado ontem. O vencimento janeiro de 2013 foi o mais negociado, com 489.849 contratos, equivalentes a R$ 41,93 bilhões (US$ 25,67 bilhões). (Eduardo Campos | Valor)

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