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Para VP do Banco WestLB, a percepção "é de que o mundo não vai acabar"

SÃO PAULO – Os juros futuros de longo prazo seguem em firme movimento de baixa à parte da recuperação de prêmios de risco em outros mercados.

Na avaliação do vice-presidente de tesouraria do Banco WestLB, Ures Folchini, o que ficou depois de todo o pânico e pessimismo da semana passada é que as taxas de juros em âmbito global ficarão baixas por um longo período de tempo e que para evitar algum tipo de colapso no sistema financeiro internacional, novas injeções de liquidez serão necessárias.

Segundo Folchini, a percepção, hoje, é de que o mundo não vai acabar, que a dívida soberana é gerenciável e a crise não é tão grave quanto em 2008.

O especialista pondera, no entanto, que o “paciente” continua doente. O que aconteceu é que ele reagiu ao medicamento, mas segue em tratamento. E esse tratamento é composto por cortes de gastos, ajustes fiscais e aumento de liquidez.

E é dentro desse novo quadro delineado por juros baixos e liquidez abundante, diz Folchini, que assistimos a uma retomada na demanda por ativos reais, como bolsas e commodities por exemplo.

Neste cenário de juro baixo e dinheiro farto é natural que se procure alternativas de juros maiores. “É aí que aparece um tal de Brasil na tela dos investidores pagando 11,80% ao ano para 2014. O que parece uma boa oportunidade de investimento”, conclui o especialista.

Antes do ajuste final de posições na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em outubro de 2011 subia 0,02 ponto percentual, a 12,38%. Novembro de 2011 marcava 12,32%, sem alteração. E janeiro de 2012 projetava 12,27%, queda de 0,01 ponto.

Entre os contratos mais longos, janeiro de 2013, o mais líquido do dia, apontava baixa de 0,01 ponto, a 11,86%. Janeiro de 2014 registrava desvalorização de 0,04 ponto, a 11,85%. Janeiro de 2015 tinha queda de 0,09 ponto, a 11,87%. Janeiro de 2016 caía 0,06 ponto, a 11,88%. E janeiro de 2017 projetava 11,87%, perda de 0,08 ponto.

Até as 16h10, foram negociados 433.398 contratos, equivalentes a R$ 36,61 bilhões (US$ 22,66 bilhões), cerca de um terço do registrado na sexta-feira e menor volume em três semanas. O vencimento janeiro de 2013 foi o mais negociado, com 108.398 contratos, equivalentes a R$ 9,29 bilhões (US$ 5,75 bilhões).

No mercado externo, a taxa de retorno dos papéis de 10 anos do Tesouro dos Estados Unidos apontava alta de 0,04 ponto, a 2,28%. O título para 30 anos também subia, apontando 3,75%.

Na agenda do dia, o boletim Focus mostrou que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2011 deve fechar em 6,26%, contra 6,28% da sondagem anterior. A mediana para 2012 recou de 5,27% para 5,23%.

Em 12 meses, no entanto, a mediana subiu de 5,42% para 5,44%. Dentro do Top Five, grupo que mais acerta, a inflação para o ano avançou de 6,19% para 6,25%, mas caiu de 5,30% para 5,09%, para 2012.

A projeção para Selic segue em 12,50%, ou seja, mesmo com a curva futura sugerindo redução de juros em 2011 e 2012, os agentes consultados pelo BC seguem firmes na ideia de juros estáveis por um bom tempo. Percepção reforçada pela mediana de juros para o próximo ano, que seguiu em 12,50%.

Os prognósticos para câmbio não se alteraram. A taxa deve ficar em R$ 1,60 no fim deste ano e em R$ 1,65 no fim do próximo ano.

O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi colocado para baixo marginalmente. De 3,94% para 3,93% agora em 2011. Em 2012, o avanço da economia deve ficar em 4%.

(Eduardo Campos | Valor)

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