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Investidores também voltam o foco à reunião do Comitê de Política Monetária, que acontece amanhã e quarta-feira

Os contratos de juros futuros começam a semana apresentando viés de alta na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). Em dia de fraca agenda de indicadores econômicos, o noticiário político foi destaque nas mesas, conforme se discute o futuro do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, que está sob pressão desde que foi descoberto um aumento de patrimônio de 20 vezes em quatro anos.

Para alguns agentes, a possibilidade de saída de Palocci causa apreensão e aumento nos prêmios de risco. Afinal, a imagem do ministro é de peça importante de coordenação de governo e implementação de política econômica. Outros operadores, no entanto, acreditam que o episódio é utilizado por agentes de mercado para criar oportunidades de negócios com as curvas futuras. A eventual saída do ministro já estaria no preço e qualquer movimento de alta nos prêmios deveria ser visto como uma boa oportunidade de venda.

Com outra visão, a economista-chefe da Icap Brasil, Inês Filipa, diz que esse episódio traz um pouco de incerteza e deixa o mercado, no mínimo, curioso sobre como o governo tratará esse assunto. "É um cargo importante, mas com relação à política econômica do governo pouco muda com sua eventual saída", diz Inês. Na avaliação da economista, Banco Central (BC) e Fazenda já têm posturas definidas, mas atuam com um discurso mais singular. "E não vejo o Palocci como um intermediário entre esses dois entes."

Antes do ajuste final de posições na BM&F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em julho de 2011 apontava 12,09%, sem alteração. Outubro de 2011, o mais líquido do dia, subia 0,02 ponto percentual, a 12,28%. E janeiro de 2012 operava com alta de 0,04 ponto, a 12,38%. Entre os contratos mais longos, janeiro de 2013 mostrava alta de 0,01 ponto, a 12,52%. Janeiro de 2014 ganhava 0,02 ponto, a 12,47%. Janeiro de 2015 também subia 0,02 ponto, a 12,48%. Janeiro de 2016 projetava 12,42%, alta de 0,03 ponto. E janeiro de 2017 valia 12,33%, ganho de 0,04 ponto.

Até as 16h10, foram negociados 668.820 contratos, equivalentes a R$ 59,90 bilhões (US$ 38,05 bilhões), queda de 9%, sobre o registrado no pregão anterior. O vencimento outubro de 2011 foi o mais negociado, com 337.185 contratos, equivalentes a R$ 32,45 bilhões (US$ 20,61 bilhões).

Voltando o foco à reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que acontece amanhã e quarta-feira, Inês aponta que o resultado desse encontro está mais do que dado. Não tem como se pensar diferente de uma alta unânime de 0,25 ponto percentual na Selic, que passaria de 12% para 12,25% ao ano. Tal atuação, diz a economista, está em linha com o divulgado na ata de abril, quando o BC falou em alta de juros por período suficientemente prolongado, e com as recentes entrevistas de membros do BC.

Para Inês, além da alta de quarta-feira, o Copom faria novo ajuste de um quarto de ponto no encontro de julho, com taxa indo a 12,50%. Mas a economista também trabalha com um cenário alternativo de mais elevações no juro básico em agosto e setembro. A especialista não gosta de ter dois modelos para o juro, mas, por ora, lança mão dessa possibilidade em função das incertezas que ainda rondam a evolução do cenário doméstico em ternos de demanda e inflação.

Inês trabalha com um arrefecimento da atividade, mas ainda faltam indicadores que permitam estimar com maior precisão qual o ritmo desse movimento de arrefecimento ao longo do segundo trimestre. Ainda de acordo com a economista, o BC está colocando em seu cenário essa melhora da inflação no curto prazo e menor ritmo de atividade. No entanto, seria bom que autoridade monetária desse continuidade no ajuste de alta, dado o risco de ser surpreendido por alguma volta da inflação, conforme observado no fim do ano passado.

O boletim Focus da semana não trouxe variações representativas nos prognósticos de inflação. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2010 cedeu marginalmente, de 6,23% para 6,22%. Para 2012, a mediana segue em 5,10%. A inflação em 12 meses permaneceu estimada em 5,04%. E dentro do Top Five, grupo que mais acerta, o IPCA do ano se manteve em 6,16%, e ficou em 5,30% para o fim de 2012, também sem alteração. A Selic estimada para o ano se manteve em 12,50%, a taxa de câmbio seguiu em R$ 1,61%, e o crescimento do PIB permaneceu em 4%.

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