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Rendimento dos bônus italianos indica que Roma supera Madri como foco da preocupação dos investidores sobre dívida pública do país

A pressão dos mercados financeiros sobre a Itália se intensificava nesta terça-feira, deixando a segunda nação mais endividada da zona do euro em área de perigo e fazendo as autoridades italianas convocarem reuniões de emergência.

Os rendimentos dos bônus italianos atingiram o maior nível dos 11 anos de história do euro, equiparando-se aos juros espanhóis e sinalizando que Roma está ultrapassando Madri como o principal foco da preocupação do investidor sobre a sustentabilidade da dívida pública.

O mercado de ações da Itália caiu ao menor patamar em mais de 27 meses, pressionado pelos bancos com alta exposição à dívida do país. O índice das principais ações da Europa atingiu a mínima em 9 meses, com temores sobre crescimento econômico.

O ministro italiano de Economia, Giulio Tremonti, convocou uma reunião do Comitê de Estabilidade Financeira -- composto por representantes do governo, do Banco da Itália, do órgão regulador de mercado Consob e da autoridade de seguros ISVAP --, um dia antes de o primeiro-ministro Silvio Berlusconi quebrar o silêncio e falar ao Parlamento.

O premiê da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, que antecipou as eleições para 20 de novembro, adiou suas férias depois que o prêmio de risco do país ultrapassou 4 pontos percentuais sobre os bônus alemães, também a máxima da história do euro.

Organizações internacionais ofereceram apoio verbal a Itália e Espanha em meio às turbulências recentes. A Comissão Europeia disse que tanto Roma quanto Madri estão tomando as medidas necessárias para manter suas economias caminhando.

Instabilidade política

A Itália está na linha de fogo em parte porque, em 120% do Produto Interno Bruto (PIB), o país tem a maior taxa de endividamento da zona do euro depois da Grécia, cuja dívida beira 160% do PIB.

Mas a instabilidade política na coalizão de centro-direita de Roma também gera preocupação no mercado. Berlusconi está sendo julgado por evasão de impostos e por possíveis relações sexuais com uma menor de idade, e o ministro Tremonti enfrenta críticas por ter usado o apartamento de um assessor investigado por corrupção.