Tamanho do texto

Volta da preocupação com crise internacional também mexeu com o mercado de juros futuros nesta quinta-feira

selo

No mercado futuro de juros, grande parte das taxas apresenta desaceleração marginal do ritmo de declínio, ante o período da manhã, mas está mantida a queda em relação ao ajuste da véspera. A confirmação de um desempenho favorável do IPCA-15 em março, conforme os investidores em juros futuros anteciparam nesta terça-feira no desenho da curva a termo, e o recrudescimento da aversão ao risco no ambiente internacional são os principais condutores dos futuros de DI nesta quinta-feira.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, o DI janeiro de 2013 (270.480 contratos) estava em 8,92%, ante 8,93% no ajuste, enquanto o DI janeiro de 2014 (492.315 contratos) marcava 9,58%, de 9,64% na véspera. O DI janeiro de 2017, com giro de 79.580 contratos, apontava 10,78%, de 10,85% ontem, e o DI janeiro de 2021 (8.695 contratos) indicava de 11,25%, de 11,33%.

O IPCA-15 relativo a março subiu 0,25%, surpreendendo grande parte dos agentes do mercado ao ficar abaixo do piso das estimativas apuradas pelo AE Projeções, no intervalo de 0,32% a 0,42%, com mediana de 0,38%. Como resultado, analistas já iniciaram revisão para baixo das previsões para o IPCA no fechamento deste mês, segundo levantamento do AE Projeções, hoje, com 21 instituições, apontando estimativas preliminares entre 0,30% e 0,42% para o indicador fechado, intervalo que gerou mediana de 0,36%.

Na avaliação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, esta divulgação do IPCA-15 mostra que "a inflação deste ano será muito menor do que a do ano passado". Apesar da redução em andamento das projeções dos analistas para o IPCA em março, estrategistas no mercado de juros advertem que a inflação deve permanecer acima do centro da meta (4,5%) nos próximos anos. As taxas futuras, hoje, indicam como ponto mais baixo da Selic o nível de 9% - já entendido, a partir da ata do Copom, como piso para o juro básico no ciclo corrente -, mas sinalizam que, em 2013, o Banco Central deve ter de subir a Selic para combater pressões inflacionárias, em face da perspectiva de atividade mais aquecida no segundo semestre.

Os níveis de aversão ao risco voltaram a se acentuar no ambiente internacional. Na China e na zona do euro, os indicadores de atividade industrial dos gerentes de compras (PMI) ficaram abaixo da marca de 50 pontos, que separa trajetórias de expansão e de contração da atividade. Na China, o PMI de 48,1 em março é o mais baixa em quatro meses. Na zona do euro, o nível de 48,7 em março reforça a percepção de recessão na região. Em particular, surpreendeu o fato de o PMI alemão ter também ficado abaixo de 50. Na Itália, oficiais do governo afirmaram que a crise dívida "não está resolvida de forma alguma". Na Espanha, O custo do seguro da dívida da Espanha contra default subiu para seu nível mais alto em mais de dois meses.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.