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Márcio Holland afirma que taxação de operações cambiais não compromete atração de investimentos externo de longo prazo

A taxação de algumas operações cambiais com o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) "tem contribuído para afastar dúvidas sobre bolhas no mercado brasileiro", no mercado de capitais e no crédito, sem comprometer a vinda de investimento externo de longo prazo, afirmou o secretário de Politica Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland.

"A partir do momento em que o governo passou a adotar o IOF, a taxa de câmbio cessa de apreciar, abandona o movimento ladeira abaixo em que vinha", afirmou Holland, referindo-se à queda no preço do dólar americano. O IOF começou a ser usado em outubro de 2010.

Ao fazer exposição no seminário "A liberalização Financeira e o Controle de Capitais", organizado pela Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados, o secretário afirmou que "o Brasil tem administrado bem os fluxos de capitais, aliando a política de aumento de juros com políticas macroprudenciais", adotadas pelo Banco Central (BC) para conter a expansão do crédito.

A uma plateia de apenas cinco parlamentares, Holland usou suas habilidades didáticas, como ex-professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) paulista, para fazer um histórico de como o país saiu da carência de moeda estrangeira, na década de 1970, para fechar seu balanço de pagamentos, até a enxurrada de dólares que passou a entrar no país desde o início dos anos 2000, pela melhoria das condições econômicas.

Ele explicou que o Brasil passou a ser objeto de desejo do investidor internacional, em especial após a crise mundial de 2008, pela solidez macroeconômica e "a visão de que os problemas institucionais e de inflação estão ficando para trás", completou.

Holland citou que o Brasil, hoje, cresce o dobro da economia mundial, "o que é algo surpreendente". Alertou os parlamentares que a crise de 2008 ainda não acabou, por sinais como o desemprego na casa dos dois dígitos nos Estados Unidos e na Europa.

"Hoje, falamos que o mundo está em duas velocidades de crescimento: a menor velocidade dos países avançados e a dos emergentes", mais acelerada, explicou o secretário.

Sobre barreiras contra o ingresso excessivo de dólares, objeto do seminário, Holland citou texto do Fundo Monetário Internacional (FMI) para explicar que não vê o controle de capitais como um instrumento ideológico, mas como algo que pode fazer parte "da caixa de ferramentas" de qualquer país.

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