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Títulos atrelados a índices de preços lideraram desempenho de aplicações no primeiro semestre; Bolsa, com recuo de 10%, foi a pior

A inflação , inimiga de assalariados, preocupação central da equipe econômica do governo em 2011 e que fez o Banco Central queimar pestanas nas primeiras reuniões do Comitê de Política Econômica (Copom) no governo Dilma Rousseff, não tem sido apenas uma vilã – ao menos para os que apostam nela como investimento. Os títulos atrelados aos índices de preços encerraram o primeiro semestre deste ano com o melhor desempenho entre todas as principais categorias de aplicações financeiras.

Investimentos no primeiro semestre

Rendimento das aplicações entre janeiro e junho (em %)

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Fonte: Fabio Colombo

Os títulos indexados ao IPCA, índice oficial de inflação, acumularam alta de 6,77% e lideraram os ganhos entre as aplicações. Na vice-liderança, com avanço de 6,02%, apareceram os títulos indexados ao IGPM, também conhecido como “inflação do aluguel”. Na ponta oposta, segurando a lanterna no ranking, aparece a Bovespa, que acumulou perda de 10% entre janeiro e junho .

“A inflação foi o ponto central das análises de mercado interno e deverá continuar nesse papel”, diz Arthur Totti, gestor da Grau Gestão de Ativos. Pode haver nova pressão inflacionária com uma nova rodada de campanhas salariais, a ocorrer entre setembro e outubro, afirma. “Será um embate porque a inflação mensal deve diminuir, mas a acumulada em 12 meses ainda será muito alta”.

Guilherme Lara Campos/ Fotoarena
Pesquisadora com palmtop em coleta de preços nos supermercados: com a inflação, perdas e ganhos
A Bolsa patinou em três itens depressores, avalia Totti, e todos protagonizados pelo mercado externo: a recuperação da economia norte-americana, que tem ocorrido em velocidade menor que a esperada, o mercado imobiliário também dos EUA, que voltou a recrudescer, e os imbróglios econômicos em que se meteram países europeus como Portugal, Irlanda e, principalmente, a Grécia .

Fabio Colombo, administrador de investimentos, cita, entre os fatores externos que ditaram o rumo dos negócios entre janeiro e junho, também a crise institucional dos países do norte da África e a crise nuclear que assolou o Japão após o terremoto de março . “O fator Europa deve continuar a pesar no segundo semestre. Só vai mudar se os países apresentarem um ritmo de crescimento que deixe claro que estão em retomada”.

Também ele atesta o protagonismo da inflação no andamento das aplicações financeiras no primeiro semestre. Mas, no caso da Bovespa, houve outros pontos a serem considerados: além da queda recente das commodities, a oferta de ações (IPO, na sigla em inglês) da Petrobras, ocorrida em 2010 , e a mudança no comando da Vale . “Essas empresas têm um peso muito grande. O investidor não fica muito confortável com essas situações”.

E a inflação continuará a ser o centro das atenções no mercado interno, diz Colombo. “Há um sinal de queda nos próximos meses, mas alguns economistas já têm dito que ela deve voltar com mais força no quarto trimestre”, afirma. “E esse Banco Central ainda não demonstrou a mesma firmeza do anterior no combate à inflação”.

Os índices de preços, vilões de assalariados, preocupação central do governo em 2011 e que têm feito o BC queimar pestanas desde janeiro, continuarão no cerne das atenções – de quem ganha e de quem perde dinheiro com eles.

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