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SÃO PAULO - Depois das perdas acentuadas na semana passada, os contratos de juros futuros tiveram um dia de ajuste na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), conforme os contratos recobraram parte dos prêmios perdidos

SÃO PAULO - Depois das perdas acentuadas na semana passada, os contratos de juros futuros tiveram um dia de ajuste na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), conforme os contratos recobraram parte dos prêmios perdidos. Antes do ajuste final de posições, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2012 apontava alta de 0,05 ponto, a 11,28%. Janeiro de 2013 mostrava valorização de 0,06 ponto, a 11,57%. E janeiro 2014 também ganhava 0,06 ponto, a 11,49%. Entre os curtos, novembro de 2010 apontava estabilidade a 10,63%. E janeiro de 2011, mais líquido do dia, perdia 0,01 ponto, a 10,64%. Até as 16h10, foram negociados 396.745 contratos, equivalentes a R$ 34,79 bilhões (US$ 20,65 bilhões), 59% menos do que o observado no pregão anterior. O vencimento janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 126.910 contratos, equivalentes a R$ 12,42 bilhões (US$ 7,48 bilhões). Cabe lembrar que na semana passada foram fatores eleitorais que explicaram à queda nos prêmios de risco. Os agentes passaram a ponderar a possibilidade de vitória de José Serra (PSDB) na corrada à presidência. Até então, a curva embutia 100% de chance de vitória de Dilma Rousseff (PT), mas conforme saíram algumas pesquisas mostrando redução de distância entre os dois candidatos, as apostas nos juros foram repensadas. Na avaliação do sócio-gestor da Leme Investimentos, Paulo Petrassi, além do espaço para um juste técnico após as perdas recentes, a curva também captou o comportamento do Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10) de outubro e o resultado da última pesquisa de intenção de voto para a Presidência da República. "Além de inflação, atividade e cena externa, as pesquisas de intenção de votos são mais uma variável que temos que acompanhar", disse. Contrariando a expectativa de parte do mercado, a pesquisa Datafolha apresentada no fim de semana não confirmou o empate técnico, mas sim 54% de votos válidos para a petista Dilma Rousseff, e 46% para o tucano José Serra. Ao longo da semana ao menos mais três sondagens devem ser divulgadas. Ainda no capítulo eleições, Petrassi não acredita em mudanças radicais no mercado. O quadro mudaria de forma significativa no caso de uma vitória de Serra, que poderia levar parte do mercado a descartar alta de juros em 2011. Na agenda do dia, a Fundação Getulio Vargas (FGV) mostrou que o Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10) apontou alta de 1,15% em outubro, vindo de 1,12%. Segundo a própria FGV, a queda no preço do dólar evitou uma aceleração maior do índice. O boletim Focus continuou mostrando piora nas estimativas de inflação. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2010 subiu de 5,15% para 5,20%, completando cinco semanas seguidas de alta. Para 2011, a variação foi marginal, com índice saindo de 4,98% para 4,99%. Em 12 meses o IPCA projetado permaneceu em 5,16%. O prognóstico para o câmbio foi revisto de R$ 1,75 para R$ 1,70. A alta do PIB segue em 7,55% e a Selic esperada para 2010 é de 10,75% e de 11,75% para 2011. Ainda na semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) apresenta sua decisão de juros. Segundo Petrassi, não tem o que esperar. A decisão deve ser manutenção da Selic em 10,75%. Com isso, atenção se volta para a ata, que sai na próxima semana. Os investidores também recebem o Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) de outubro e uma nova prévia para o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M). (Eduardo Campos | Valor)

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