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Dow Jones, em NY, subiu 0,54%. Ajuste se ancorou em perspectivas melhores para a situação fiscal da Itália

Nervosismo. Para onde estão indo os EUA?
Associated Press
Nervosismo. Para onde estão indo os EUA?
Os investidores tentaram, tentaram, e conseguiram um respiro. Ibovespa e Dow Jones fecharam de lado nesta sexta-feira, mas com sinais positivos, recuperando uma pequena parte da enorme perda de ontem. O mercado de ações viveu uma gangorra, com tendência negativa ao longo do dia, mas que terminou em recuperação.

Por duas vezes durante o pregão, os índices acionários ensaiaram altas, movidos por notícias diferentes, mas voltaram ao vermelho. Na reta final, no entanto, as compras aumentaram e os índices fecharam com ganhos.

A primeira tentativa aconteceu logo após a divulgação dos dados de emprego e renda dos Estados Unidos, pela manhã. A segunda, por volta das 14h40, com informações de compra de títulos da Itália. "As bolsas caíram tão rapidamente que qualquer notícia melhorzinha faz com que os investidores olhem novamente para os múltiplos das ações, que são considerados baixos", disse um operador.

O Ibovespa subiu na abertura, caiu e voltou a se valorizar por volta das 14h30. Essa segunda fase durou um pouco mais, mas o índice não resistiu e, a 40 minutos do fechamento, voltou a cair, acompanhando as bolsas em Nova York. Quando o pregão já se encaminhava para um fechamento no vermelho, o lado comprador voltou e o Ibovespa fechou em alta de 0,26%, para 52.949 pontos.

Na semana, o Ibovespa acumula perda de 9,98%. No ano, a queda é de 23,5%.

A última onda positiva foi alimentada por notícia da Reuters, de que o Banco Central Europeu (BCE) pode comprar bônus da Itália. Segundo a agência, o BCE exige que a Itália se comprometa a fazer reformas no sistema de bem-estar social antes de realizar a compra dos bônus.

No final da tarde, a Itália rendeu-se à pressão mundial e prometeu acelerar reformas fiscais e sociais em troca da ajuda do BCE .

Nova York também virou movida por essa notícia. Dow Jones subiu 0,54%. Mas a bolsa de tecnologia, a Nasdaq, caiu 0,94%.

No começo do dia, os investidores tentaram comprar após a divulgação do dado econômico mais importante do dia, de vagas de trabalho e desemprego nos Estados Unidos, mas a recuperação não se sustentou. Preocupações com o crescimento da economia dos EUA e seus efeitos na expansão global, somadas a problemas fiscais na Europa, davam a tônica do nervosismo da quinta-feira.

Muitas bolsas no mundo abriram em alta, tentando se recuperar. A bolsa de São Paulo e dos Estados Unidos estão entre elas. O Ibovespa, principal índice da praça paulista, chegou a subir 2%, mas virou e passou a cair. Na Europa, os índices abriram em baixa, mas chegaram a ensaiar ganhos após a divulgação de dados da economia norte-americana, que vieram melhores que o esperado. Mas o movimento positivo não durou muito.

Nos Estados Unidos, as bolsas iniciaram o pregão com altas superiores a 1%, também reagindo à divulgação de dados melhores que o esperado sobre o mercado de trabalho do país. Na primeira meia hora de negócios, os índices em Nova York operaram em alta.

Os bons dados de emprego nos Estados Unidos não foram suficientes para compensar as preocupações com o enfraquecimento da economia global e o medo de uma nova recessão. A taxa de desemprego nos Estados Unidos recuou de 9,2% para 9,1% em julho. Em comentário, o Banco fator diz que a força de trabalho registrou queda (de 153,4 milhões para 153,2 milhões), e é por isso que a taxa de desemprego caiu. A geração de novas vagas de trabalho no mês veio bem acima da expectativa do mercado – foram criados 117 mil postos de trabalho, ante projeção de 75 mil vagas.

Ainda tomada pelas notícias negativas, a Europa fechou em queda. O índice FTSE 100, da bolsa de Londres, caiu 2,71%. O DAX, da bolsa de Franfkurt, recuou 2,78%. O índice CAC 40, do mercado de Paris, teve desvalorização de 1,26% e o índice de Milão, que caiu mais de 5% ontem, caiu 0,70%.

Nervosismo

Ontem , em um dia de pânico , o Ibovespa tombou 5,72%, aos 52.811 pontos, a maior queda diária desde 21 de novembro de 2008 (-6,45%) e o menor patamar desde 17 de julho de 2009. As bolsas dos Estados Unidos e da Europa também tiveram fortes baixas.

Nos EUA, o Dow Jones recuou 4,31%, a 11.383 pontos na quinta-feira, enquanto que o Standard & Poor's 500 cedeu 4,78%, a 1.200 pontos. O Nasdaq teve desvalorização de 5,08%, a 2.556 pontos. Nas praças europeias, todas as quedas foram superiores a 3%. O índice europeu de ações FTSEurofirst 300 encerrou a sessão com baixa de 3,33%, a 993 pontos. Foi a primeira vez que o indicador caiu abaixo da marca de 1 mil pontos em 12 meses.

Nos mercados asiáticos , o dia terminou com forte desvalorização. Em Hong Kong, a bolsa fechou a sexta-feira no menor patamar dos últimos 9 meses. O índice Hang Seng caiu 4,3% e encerrou aos 20.946,14 pontos, quarta queda consecutiva e o pior fechamento desde 2 de setembro de 2010.

Na China, as Bolsas também foram influenciadas por fatores domésticos, como as expectativas de alta na inflação de julho. O índice Xangai Composto caiu 2,2% e terminou aos 2.626,42 pontos, o pior fechamento desde 20 de junho - na semana, o índice acumulou queda de 2,8%. O índice Shenzhen Composto baixou 1,9% e encerrou aos 1.164,95 pontos.

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(Com agências)