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Bolsa despencou 5,72%. Mercados tiveram pregão de extremo nervosismo com medo de recessão mundial e bolsas caíram mais de 3%

Operadores nervosos no pregão de Nova York
Associated Press
Operadores nervosos no pregão de Nova York
O mercado negociou nesta quinta-feira em extremo nervosismo. No fechamento, as principais bolsas do mundo tiveram tombos superiores a -3%. A maior perda entre as maiores ficou justamente com a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

Em um segundo dia de vendas generalizadas, o Ibovespa encerrou os negócios com baixa de 5,72%, para 52.811 pontos. É a menor cotação em mais de dois anos e ficou próxima da mínima do dia, que foi de -6,01%.

A última vez em que o Ibovespa fechou na casa dos 52 mil pontos foi em 17 de julho de 2009, quando encerrou em 52.072 pontos. A segunda principal queda no mundo hoje ficou com a bolsa de Milão, que perdeu 5,16%, com investidores nervosos em relação à situação fiscal do país.

O cenário externo azedou e as bolsas operaram influenciadas por temores cada vez maiores de que o mundo entre em recessão econômica. Os investidores temem um rebaixamento da classificação de risco norte-americana e uma desaceleração mais expressiva da economia dos Estados Unidos. Como se não bastasse, o fantasma de um agravamento da crise europeia também rondou as mesas de operação. "Há um medo total no mercado agora", disse à CNN Bob Doll, estrategista de ações da Black Rock.

As fortes quedas de hoje deixaram os investidores com sensação de déjà-vu da crise de 2008 .

Nervosismo abate mercados de ações no mundo

Confira os fechamentos das principais bolsas do globo (%)

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Bloomberg

Em Nova York, os principais índices pioraram bastante no fechamento. Dow Jones caiu 4,31% e Nasdaq despencou 5,08%. Segundo a CNN, são as maiores baixas diárias desde a crise financeira de 2008. Com as quedas, ambas apagam os ganhos do ano.

As bolsas de valores europeias tombaram nesta quinta-feira , com o principal índice de ações do continente voltando para os menores patamares de meados de 2009. O índice europeu de ações FTSEurofirst 300 encerrou a sessão com baixa de 3,33%, a 993 pontos. Foi a primeira vez que o indicador caiu abaixo da marca de 1 mil pontos em 12 meses.

"O fato é: nós não vemos grandes volumes nos mercados de opções por pessoas em busca de proteção. Investidores estão saindo de forma maciça de ações, é isso. E pode levar um tempo até que eles voltem", disse o estrategista-chefe de alocação e fundos da Dexia Asset Management, Jean-Yves Dumont.

No Brasil, analistas dizem que há um movimento semelhante. Muitos fundos começaram uma realização maciça de prejuízos, num movimento conhecido no mercado como "stop loss". "Onde vai parar? Esta é a pergunta que vale um milhão", ironizou um especialista.

Presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, que reconheceu existir um alto nível de incertezas econômicas
AFP
Presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, que reconheceu existir um alto nível de incertezas econômicas
As únicas altas do Ibovespa no fechamento foram de Klabin (+2%) e JBS (0,47%). As maiores quedas foram das ações do grupo de Eike Batista. MMX desmanchou 17,45% e LLX caiu 12,75%.

Além disso, os investidores na Europa avaliam as palavras do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, que reconheceu existir um alto nível de incertezas e que os riscos para a inflação podem ter aumentado em decorrência das tensões nos mercados financeiros, entre outros pontos. Ele deixou subentendido que a autoridade monetária continua com seu programa de compra de títulos e avisou que vai voltar a injetar liquidez nos mercados.

Nesta jornada, o BCE manteve a taxa de juro em 1,5%. Antes desse anúncio, o Banco da Inglaterra comunicou que deixou o juro da região em 0,5%. As duas decisões eram esperadas por muitos analistas.

A fuga em massa por parte dos investidores nas ações brasileiras, em um mercado considerado barato, míngua a esperança de uma recuperação dos negócios locais no curto prazo. "O barato de hoje pode ser o caro de amanhã", comenta o operador da mesa de renda variável de uma corretora paulista, para quem a correção nos preços dos ativos de risco ainda não terminou.

Os investidores estão se desfazendo das ações, consideradas aplicações de risco, e comprando ativos considerados mais seguros, como os bônus de governos. Essa procura por proteção derrubou os rendimentos dos treasuries, os títulos do governo dos Estados Unidos, de 10 anos para baixo de 2,5%, o menor nível desde novembro de 2010.

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(com Reuters, Agência Estado e Valor Online)