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Ata de Comitê mostrou que membros do Fed pensaram em tomar ação mais forte de impulso econômico

O Ibovespa subiu 0,96% nesta terça-feira, para 55.385 pontos. Os investidores se animaram a ir às compras após a ata do Comitê de Política Monetária do Fed (Fomc), na qual o Banco Central dos EUA admitiu ter considerado uma série de ações para ajudar a fraca economia norte-americana durante sua reunião em agosto, incluindo uma medida sem precedentes de vincular a política monetária a uma taxa específica de desemprego.

Segundo a esperada ata do Fomc, as autoridades do Fed notaram que as perspectivas econômicas do país pioraram significativamente, argumentando que a fraqueza econômica do primeiro semestre não podia mais ser avaliada como resultante apenas de fatores temporários. Nesse contexto, os membros do Fed quiseram tomar uma ação ainda mais forte, mas, segundo a ata, "estavam querendo aceitar um 'guidance' mais forte como um passo na direção de uma acomodação adicional".

Essa indicação de que mais integrantes do Fed consideraram medidas de estímulo econômico deu ânimo aos investidores. Em Nova York, os principais indicadores subiram. Dow Jones teve ganho de 0,18%, após ter operado em queda, e Nasdaq subiu 0,55%.

Os investidores espevam justamente dicas dos instrumentos que o Fed poderá utilizar para estimular a economia. O presidente do Fed, Ben Bernanke, não anunciou medidas de estímulo na reunião de agosto, conforme o mercado esperava, mas disse que possui as ferramentas necessárias e que discutirá o assunto no encontro de setembro.

Apesar dos ganhos, o estrategista-chefe da SLW Corretora, Pedro Galdi, avalia que ainda não é o momento para a Bolsa deslanchar, apesar dos preços convidativos no mercado. "Tem muita coisa para acontecer, sobretudo na Europa e nos Estados Unidos", diz, acrescentando que "não será somente o cenário doméstico que guiará uma melhora da Bolsa".

Para Galdi, o impulso dado ontem pelo governo brasileiro à renda variável, ao sinalizar maior esforço fiscal para permitir uma redução da taxa básica de juros, ainda precisa ser confirmado. "Mas é claro que juros em queda tem tudo a ver com Bolsa em alta", ressalta.

A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) começa hoje e, embora as 72 instituições financeiras consultadas pela Agência Estado sejam unânimes em afirmar que a Selic (taxa básica de juros) será mantida nos atuais 12,50%, o mercado futuro de juros chega à véspera do anúncio da decisão dividido entre manutenção e um corte de 0,25 ponto porcentual na Selic.

Ontem, a Bolsa acelerou os ganhos após o anúncio do aumento da meta do superávit primário, com valorização acima de 3%, beliscando os 55 mil pontos na pontuação máxima do dia. Segundo análises gráficas, neste patamar o Ibovespa pode adquirir forte força compradora, o que abriria espaço para testar "tetos" importantes, ainda antes dos 60 mil pontos.

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(com Agência Estado e Reuters)

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