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Perspectiva de queda de juros é positiva para o mercado de ações. Na Grécia, Bolsa dispara mais de 14% com fusão de bancos

O Ibovespa ampliou a alta da abertura após o anúncio de Guido Mantega. O ministro da Fazenda, que ainda responde a perguntas de jornalistas, anunciou um aumento de R$ 10 bilhões na meta de superávit primário para 2011. Segundo o próprio ministro, um dos efeitos do corte de gastos é a queda dos juros, o que é positivo para os negócios com ações. Quanto menor a rentabilidade da renda fixa, maior é o espaço para a renda variável.

Em seu discurso, o ministro ainda garantiu que programas prioritários do governo sofrerão. A medida, segundo Álvaro Bandeira, diretor da Ativa Corretora, é positiva para a economia como um todo. "Cortar gastos de custeio é bom, mas não os de investimentos", disse há pouco. "Superávit primário reequilibra as contas públicas", afirmou.

Às 13h05 o Ibovespa subia 2,73%, cotado em 54.806 pontos. O comportamento positivo também reflete os principais mercados internacionais. Nos EUA, Dow Jones subia 1,72% e Nasdaq tinha ganho de 2,56%. As bolsas de Nova York operam em alta, animadas pelo enfraquecimento do furacão Irene e pela divulgação de dados positivos sobre inflação e gastos do consumidor nos Estados Unidos.

O núcleo do índice de preços dos gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) norte-americano, que exclui variação dos preços de alimentos e energia, subiu 0,2% em julho ante junho. O resultado ficou dentro do esperado e bem menor do que a alta de 1,4% de junho. Em relação a julho de 2010, a alta foi de 1,6%. Já o índice cheio subiu 0,4% em julho ante junho e 2,8% na comparação com julho do ano passado.

Os gastos dos consumidores dos Estados Unidos cresceram 0,8% em julho, o maior ganho em cinco meses e acima da expectativa de alta de 0,5%. A renda pessoal dos norte-americanos cresceu 0,3%, praticamente em linha com o aumento de 0,4% esperado por analistas. A taxa de poupança, por sua vez, caiu de 5,5% em junho para 5,0% em julho.

A atenção dos mercados está nos indicadores da semana, em especial o relatório oficial sobre o mercado de trabalho nos EUA (payroll). Além disso, os investidores estão atentos à ata da reunião de 9 de agosto do Comitê de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), que será divulgada amanhã.

Europa

Na Europa, a principal notícia vem da Grécia. A Bolsa de Atenas disparou nesta segunda-feira com uma alta de mais de 14% em seu principal índice, uma reação à notícia da fusão dos dois maiores bancos privados do país, Alpha Bank e Eurobank. A valorização às 11h37 era de 14,37%.

Com sua fusão, Alpha Bank e EFG Eurobank formaram a maior instituição financeira privada do sudeste europeu, a Alpha Eurobank, a qual contará ainda com capital do Catar. A notícia da fusão havia vazado à imprensa neste domingo e a Bolsa de Atenas suspendeu temporariamente as transações dos títulos dos dois bancos na manhã desta segunda-feira.

Nos demais países, as ações das companhias de seguro e de resseguro puxam as altas, depois de os prejuízos causados pela passagem da tempestade Irene pelos Estados Unidos (EUA) no fim de semana terem sido menores do que as piores expectativas do setor.

As principais bolsas europeias seguiam no campo positivo: Paris tinha expansão de 2,57%, Alemanha registrava alta de 2,60%, Espanha subia 2,69% e Milão tinha ganho de 2,66%. Londres recuava 0,02%.

O furacão Irene passou pela costa leste dos EUA, causando inundações, derrubando árvores e arrancando telhados, mas causou prejuízos menores em Nova York, ao se enfraquecer para uma tempestade tropical.

"O pior cenário, de inundação da região baixa de Manhattan e das estações de metrô, não ocorreu", escreveu a empresa de modelagem de risco Air Worldwide. A companhia, assim como suas concorrentes, a Eqecat e a Risk Management Solutions, ainda irão divulgar estimativas mais atualizadas, no final do dia.

Os prejuízos causados pelo furacão Irene variam de US$ 2 bilhões a US$ 3 bilhões, a maior parte causada em residências, enquanto as perdas totais devem chegar a aproximadamente a US$ 7 bilhões, segundo estimativas preliminares da consultoria Kinetic Analysis.

O analista da consultoria Equinet, Philipp Haessler, disse que os prejuízos inferiores aos estimados "são uma boa notícia para as duas resseguradoras alemãs e para a Allianz". Ele estima que a Munich Re e a Hannover Re terão, cada, custos de cerca de 100 milhões de euros com Irene.

O analista do Silvia Quandt Research, Christian Muschick, disse que não irá alterar suas projeções de resultado para 2011. Mas observou que o elevado número de acidentes naturais esse ano no mundo, incluindo terremotos, tsunamis, ciclones e tornados, é suficiente para permitir que as resseguradoras elevem seus preços. As informações são da Dow Jones.