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SÃO PAULO - O Ibovespa acentuou os ganhos no pregão desta quinta-feira e aproximou-se dos 71 mil pontos, ainda de olho no movimento internacional

. A valorização das "blue chips" brasileiras dá força para a alta do mercado nacional, embora os papéis da BM&FBovespa sigam exercendo pressão negativa. Por volta das 13h15, o Ibovespa subia 0,55% e marcava 70.790 pontos. Na máxima do dia, o índice já marcou 70.958 pontos. O volume financeiro negociado estava em torno de R$ 2,229 bilhões. Em Wall Street, no mesmo horário, o índice Dow Jones tinha valorização de 0,69%. O S&P 500 se apreciava em 0,68% e o Nasdaq avançava 0,72%. Na avaliação de Osmar Camilo, analista da Socopa, a desaceleração da economia chinesa em setembro contribui em grande partre para o movimento comprador nas bolsas mundiais. Entre os principais dados divulgados, o Produto Interno Bruto (PIB) do país asiático expandiu-se 9,6% no período em relação aos mesmos três meses de 2009, após crescimento de 10,3% no segundo trimestre. A produção industrial da China, por sua vez, avançou 13,3% em setembro, no comparativo com o mesmo período de 2009, depois de ter crescido 13,9% em agosto. "O mercado já estava imaginando um superaquecimento da economia chinesa, então os dados foram mais tranquilizadores. Alguns balanços divulgados lá fora também estão animando, assim como o indicador do Fed (Federal reserve, o banco central dos EUA) de Filadélfia mostrou um aumento", pontuou. A atividade manufatureira da região da Filadélfia voltou para o campo positivo pela primeira vez em três meses. O indicador da unidade local do Fed mostrou um aumento de -0,7, em setembro, para +1, em outubro. Ainda na agenda americana, os novos pedidos de seguro-desemprego mostraram queda de 23 mil na semana fechada no dia 16 deste mês, em relação à leitura de uma semana antes, para 452 mil. No front corporativo brasileiro, as principais ações do mercado operavam no azul. Há pouco, Petrobras PN subia 0,20%, a R$ 25,04, com giro de R$ 277,4 milhões, enquanto Vale PNA avançava 0,70%, a R$ 49,65, com total negociado de R$ 264,9 milhões. As principais altas do Ibovespa partiam de Fibria ON (6,04%, a R$ 28,44), Ultrapar PN (3,62%, a R$ 105,99) e das units da ALL (2,97%, a R$ 16,94). No campo negativo, o destaque do dia está com os papéis ON da BM&FBovespa que, minutos atrás, cediam 1,98%, a R$ 13,80, e giravam R$ 127,6 milhões. Também entre as maiores baixas do dia estavam as ações Eletrobras PNB (-1,95%, a R$ 28,563) e Cesp PNB (-2,89%, a R$ 27,88). Na noite de ontem, o Banco Central anunciou medidas para tentar fechar as brechas encontradas pelos investidores estrangeiros para contornar o pagamento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 6% na constituição de garantias na BM&FBovespa para operações com derivativos. Duas dessas medidas são resoluções do Conselho Monetário Nacional (CMN) para impedir que bancos com operação local emprestem ativos aos estrangeiros para uso como garantias e também tributar ativos dos estrangeiros que já estejam no Brasil e que sejam convertidos para uso como margem na bolsa. Adicionalmente, o BC determinou que a BM&FBovespa vede a utilização de carta fiança obtida pelos estrangeiros em bancos brasileiros para uso como garantias em operações de derivativos. Em teleconferência realizada com a imprensa hoje, o presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto, afirmou que ainda é cedo para saber se as medidas terão impacto no mercado de capitais brasileiro. Para ele, como as decisões se estendem também para as operações de balcão, os efeitos não serão vistos agora. "Para saber exatamente o impacto no volume tanto para balcão quanto para bolsa temos de esperar um pouquinho, pelo menos de 15 a 20 dias", disse. Para Camilo, da Socopa, entretanto, ainda há um receio de que o investidor estrangeiro reduza as compras no mercado doméstico e que as medidas afetem sua participação na Bolsa, o que explica a queda dos papéis nesta jornada. (Beatriz Cutait | Valor)

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