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Para o banco, Estados Unidos enfrentam a pior recessão do período pós-guerra

O rebaixamento pela Standard and Poor’s ressalta as falhas fiscais dos Estados Unidos, diz em relatório o HSBC Global Research. Segundo o banco, “o orçamento dos EUA é uma bagunça” e tem piorado repetidamente ao longo do tempo. “O downgrade pela S&P, a agência de classificação de risco, apenas confirma o que todos já sabiam. O simbolismo, porém, é poderosamente importante”, afirma.

Segundo a instituição financeira, o debate sobre o teto da dívida pode ter dominado a maioria das manchetes nas últimas semanas, mas a “podridão fiscal” vem sendo definida há anos. Mesmo antes da crise financeira, o caminho fiscal já era insustentável, diz o banco: o envelhecimento da população, combinado com extravagantes compromissos de segurança social, sugere ou a necessidade de massivas altas de impostos ou de cortes de custos draconianos.

O HSBC cita a Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico (OCDE) para lembrar que os déficits dos governos federal, estaduais e prefeituras dos Estados Unidos pularam de 2,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2007 para 10,6% em 2010. Excluindo os pagamentos de juros da dívida e ajuste para o ciclo econômico, o chamado déficit primário subiu de 1,5% para 7% do PIB, o maior no mundo. E a relação entre a dívida eo PIB saltou de 62,0% para 93,6%. A zona do euro não é tão ruim: um défict médio de 6% do PIB, um déficit primário de 1,1% do PIB e uma relação dívida/PIB igual à dos EUA, mas nem de longe subindo tão rapidamente

Parte do problema dos EUA, diz o HSBC, está ligada à ausência de crescimento econômico decente. “Agora podemos dizer com segurança que os EUA passam tanto pela recessão mais profunda desde o período pós-guerra e, mais importante, a recuperação posterior mais rasa.” O PIB é muito menor do que na pré-crise, o desemprego é muito maior e, apesar do estímulo maciço via políticas monetária e fiscal, os mercados financeiros temem um duplo mergulho.

“A tão alardeada capacidade de reação da economia dos EUA não existe mais. E com o crescimento futuro mais próximo de uma média de 2% ao ano - em linha com a média dos últimos ciclos econômicos - ao invés dos 3% convenientemente assumidos pelo Escritório de Orçamento do Congresso, a aritmética fiscal permanecerá sob intensa pressão.”

A decisão da S&P, afirma o banco, reflete tudo isso mas, mais importante, leva em conta o debate pouco edificante no período que antecedeu a extensão do teto da dívida. “Apesar de Congresso e Administração, republicanos e democratas, terem concordado com a necessidade de controle do déficit, as diferenças de visão sobre a forma como isso deve ser feito agora estão maiores que o Grand Canyon.” O acordo fechado deixa os EUA sem nenhum controle sobre os gastos confiável e certamente sem qualquer compromisso com a maior receita futura.”

O banco afirma que a profundidade e a liquidez dos mercados norte-americanos vêm dando respaldo para que os EUA venham sendo capazes de se comportar aparentemente sem levar em conta os melhores interesses de seus credores até agora. O banco lembra ainda que isso ocorre porque o mundo não tem uma alternativa segura onde colocar seu dinheiro. A crise na zona do euro piora a situação. “A América, afinal de contas, goza do status de reserva monetária. Mas as coisas estão para mudar? Pode o downgrade da S&P ser mais do que apenas um gesto simbólico? Estamos prestes a testemunhar uma revolução no mundo dos negócios financeiros? ", pergunta o HSBC.

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