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Reguladores vão realizar uma série de reuniões preparatórias para estabelecer o plano, que ainda é contestado

Grandes bancos mundiais podem enfrentar um custo de capital adicional de até 3%, num projeto para tentar livrar os contribuintes nas próximas vezes que credores enfrentarem dificuldades, representantes do setor disseram nesta sexta-feira.

Uma sobretaxa de 3% a 3,5% seria aplicada se um banco crescer significativamente a ponto de que sua quebra implique em maiores riscos sistêmicos, disseram fontes.

O Conselho de Estabilidade Financeira (FSB, na sigla em inglês), que inclui as 20 maiores economias (G20) para definir regras financeiras, encontra-se em 18 de julho para finalizar seu projeto.

Reguladores vão realizar uma série de reuniões preparatórias para estabelecer o plano de sobretaxa de capital, que ainda está sendo contestado, mesmo que muitos bancos já tenham capital em linha com a faixa superior da sobretaxa planejada.

"Nenhuma decisão final foi tomada", disse uma fonte familiarizada com as negociações. "A discussão ainda é muito fluida", acrescentou uma segunda fonte.

A sobretaxa de capital seria acrescentada ao Acordo de Basileia III de 7%, definido para todos os bancos a partir de 2013.

O plano será publicado pelo FSB no final de julho para revisão pública antes dos líderes do G20 endossá-lo em novembro.

O membro do conselho Bundesbank (banco central alemão), Andreas Dombret disse nesta sexta-feira que 25 a 30 instituições financeiras sistemicamente importantes "muito provavelmente" terão que adicionar 2 a 3 pontos percentuais de capital do que outros.

"Esse acréscimo de capital faria mais do que simplesmente melhorar a resiliência", Dombret disse em discurso, acrescentando que a exigência de capital extra poderia colocar um preço sobre a garantia implícita de tais grandes empresas.

O projeto está cerca de um ano atrasado devido a disputas entre os países do G20 sobre quais bancos devem entrar na categoria citada, e se outras medidas poderiam ser substitutas para sobretaxas em alguns bancos.

Um representante do órgão regulador britânico sinalizou que o capital core total de cerca de 15% é melhor em um mundo ideal, cerca de cinco por cento acima do nível que os bancos do Reino Unido estão hoje.

A Suíça quer que os seus dois maiores bancos, UBS e Credit Suisse, mantenham como capital próprio 10% e mais 9% em dívida híbrida conhecida como capital contingente.

A Federal Reserve é o negociador pelos EUA e tem defendido que a sobretaxa seja de cerca de 3% para os maiores bancos, de acordo com uma pessoa familiarizada com as discussões, no âmbito de um sistema onde o tamanho da sobretaxa seria com base no tamanho do banco.

A sobretaxa vai depender de critérios já descritos, tais como se o banco é interligado ao resto do sistema financeiro e como facilmente suas operações poderiam ser substituídas por outro credor.

"Acho que vai ser de 1% a 3% do capital em seis etapas, dependendo do tamanho", disse uma fonte.

Embora os maiores bancos estejam lutando para evitar um acréscimo da exigência acima dos 7%, as diferenças discutidas não são grandes o suficiente para forçar as instituições a levantar capital extra ou dramaticamente reestruturar seus negócios, um analista de banco afirmou.

O JPMorgan Chase, por exemplo, não dividiria suas operações para evitar ter de aportar um capital extra de 2,5%, enquanto seu concorrente Wells Fargo enfrentaria uma sobretaxa de apenas 1%.

O Financial Times afirmou que Citigroup, JPMorgan, Bank of America, Deutsche Bank, HSBC, BNP Paribas, Royal Bank of Scotland e Barclays terão que aportar mais 2,5%, ao passo que Goldman Sachs, Morgan Stanley, UBS e Credit Suisse, elevariam o aporte em 2%.

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