Tamanho do texto

Mesmo após rebaixamento dos títulos norte-americanos, gestores não têm razões - nem melhores opções - para trocar de investimento, segundo economistas

Os grandes fundos de pensão internacionais, que são conhecidos por serem importantes detentores de títulos dos Estados Unidos, ainda não têm motivos para vender seus papéis. Apesar da redução da nota da dívida norte-americana pela agência de classificação de risco Standard & Poor´s na última semana, economistas afirmam que os gestores não acreditam na perda de qualidade dos papéis norte-americanos e não veem opções mais seguras de investimentos.

“Desde o rebaixamento, não temos visto vendas. Pelo contrário,” afirma diz José Roberto Savóia, coordenador do Laboratório de Finanças da Fundação Instituto de Administração (FIA). Segundo ele, os investidores continuam olhando para a aplicação como porto seguro neste momento de crise.

As vendas dos papéis do Tesouro dos EUA não foram expressivas nos dois dias que sucederam o rebaixamento da nota dos EUA pela S&P. Pelo contrário, as compras superaram os desinvestimentos. Tanto na segunda-feira como na terça-feira, o retorno pago a quem detém os papéis caiu, o que significa que a procura subiu e o preço também aumentou, uma vez que preço e rendimento são inversamente proporcionais. Um bônus de 10 anos está pagando, agora, retorno anual de 2,27%, menos que os 2,57% do final da última sexta-feira.

Em artigo exclusivo para o iG , Arturo Bris e Salvatore Cantale, professores de finanças da escola suiça de Finanças IMD, dizem que faltam opções menos arriscadas para que investidores institucionais deixem de investir nos títulos dos EUA. “Vender dívida dos EUA para comprar a francesa ou alemã pode não ser uma idéia tão boa caso se leve em conta o risco cambial,” afirmam.

Eles acrescentam que o tamanho do mercado de dívida de governos com rating AAA pode “não ser grande o suficiente para satisfazer o apetite de investidores de títulos com medo dos EUA”. Segundo eles, atualmente, o tamanho das dívidas de França, Alemanha e Reino Unido, somadas, não chega a 60% do tamanho norte-americana. “Ou seja, não há alternativa aos títulos dos EUA,” afirmam.

Ainda que tivessem outras opções, os fundos de pensão não seriam suficientes para desfalcar a dívida dos Estados Unidos. Esses investidores são donos de apenas cerca de 6% da dívida norte-americana.

Em 2010, os fundos de pensão tinham aproximadamente US$ 710 bilhões em papéis da dívida norte-americana, em um total de US$ 12,2 trilhões, e eram o quarto maior detentor dos títulos, atrás do próprio banco central dos EUA, o Federal Reserve, juntamente com entidades intragovernamentais do país, da China e do Japão, segundo dados compilados pela rede de televisão CNBC.

Desde então, os fundos de pensão adquiriram aproximadamente US$ 3,3 bilhões em novas emissões dos títulos dos EUA, 0,16% do total colocado à venda (cerca de US$ 2 trilhões), segundo dados do Federal Reserve de Nova York. Atualmente, a dívida norte-americana supera US$ 14 trilhões. Pela proximidade com o máximo permitido anteriormente, de US$ 14,3 trilhões, os Estados Unidos elevaram o teto em US$ 2,1 trilhões.

Veja os principais detentores de títulos dos EUA, por categorias e países:

Dívida dos EUA - por detentores*

(em bilhões de dólares)

Gerando gráfico...
CNBC *dados de 2010, quando a dívida somava US$ 12 trilhões

Regras não tão rígidas

Como os fundos de pensão aplicam o dinheiro de aposentadorias, são obrigados a fazer investimentos mais seguros. Por isso costumam investir em títulos dos Estados Unidos, que têm alto grau de confiabilidade. Muitas vezes, suas regras determinam que os ativos que fazem parte do portifolio devem ter boa classificação de risco, o que significa que a chance do devedor honrar suas dívidas são altas.

No entanto, a maior parte não exige que a nota máxima, AAA, seja atribuída por todas as agências de classificação de risco. “Muitas vezes pedem apenas uma ou duas notas entre as três principais casas, que são Standard & Poor´s, Moody´s e Fitch,” diz Alexandre Chaia, professor de Finanças do Insper.

Segundo ele, grandes fundos de pensão de países como Arábia Saudita e Kuwait, por exemplo, têm regras explicitas e, em geral, não exigem que o investimento seja feito em um ativo que tenha classificação máxima (AAA) por todas as três agências. “Além disso, os fundos têm regras diferentes. Ainda que um exiga o triple-A [AAA], outros podem não ter a mesma exigência,” diz Chaia.

Em uma pesquisa com investidores, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) verificou que as regras de investimento variam entre fundos e entre países. No México, por exemplo, um dos principais fundos de pensão exige que no máximo 50% do capital seja aplicado em um título com nota AA e no máximo 20% em um ativo com classificação A, segundo a OCDE.

Veja os principais detentores de títulos dos EUA, por países:

Dívida dos EUA - por países detentores*

(em bilhões de dólares)

Gerando gráfico...
Departmento do Tesouro/Federal Reserve *dados de maio de 2011, quando a dívida quando a dívida somava US$ 14 trilhões

    Notícias Recomendadas

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.