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Rebaixamento deve acelerar processo mundial de diversificação de reservas em relação ao dólar, afirma o banco

O Bank of America Merrill Lynch recomenda a seus clientes que fiquem fora dos ativos de risco no momento. “Nossa visão tática em relação a preços de ativos continua sendo de evitar risco até que os formuladores de políticas reajam para acalmar os mercados e impulsionar a melhoria dos humores”, diz o banco em relatório. “A médio prazo, continuamos a recomendar que os investidores mantenham ativos ligados a empresas com balanços saudáveis, como as melhores ações e bônus corporativos, em vez de ativos ligados a governo e consumo, como dívida soberana e bancos.”

Fazendo coro com seus pares, o BofA diz que antecipou o rebaixamento dos Estados Unidos e que, por isso, não deve modificar suas projeções para o crescimento da economia do país ou rendimento dos títulos do governo em função da notícia.

Para o dólar, o banco acredita que o rebaixamento será um peso extra no sentimento já negativo em relação à moeda dos Estados Unidos e deve acelerar o passo da diversificação de reservas mundiais. “No entanto, as perspectivas de curto prazo para o dólar dependem criticamente da reação dos ativos de risco à decisão da S&P. É concebível que, se o recente movimento de vendas continuar, o dólar deve se fortalecer, ao menos contra moedas de países emergentes e commodities.”

A moeda dos EUA, continua o BofA, tem emergido como divisa contracíclica na década passada (o que independe de seu status de moeda de reserva mundial). A longo prazo, o impacto do rebaixamento para o dólar depende das respostas do país em termos fiscais e monetários. “Se o downgrade veio para fazer com que Washington enfrente o desafio fiscal com maior vigor (que não é o caso base da nossa equipe de economistas), os investidores ficarão propensos a dar aos formuladores de políticas o benefício da dúvida.”

Mas, se isso não acontecer em breve e se o banco central dos EUA decidir embarcar numa terceira injeção de recursos na economia, as repercussões serão catastróficas, diz o banco, já que os investidores concluirão rapidamente que a política monetária dos EUA se subjugou à política fiscal e a independência do BC será seriamente colocada em questão. Essas incertezas, diz o BofA, vão manter alta a volatilidade do dólar, mas nas projeções do banco a moeda deve se fortalecer no curto prazo, com enfraquecimento no início de 2012.

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