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Presidente da Comissão Europeia deve apresentar novo projeto de regulação para acabar com “parque de diversões para especuladores"

Regular a irresponsabilidade. Foi com essas palavras que o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, ameaçou investidores de apresentar um novo pacote de leis para pôr fim ao que chama de “parque de diversões para especuladores”.

Diante da constatação de que nem mesmo um pacote de 110 bilhões consegue acalmar os mercados, Barroso disse que estuda apresentar um novo projeto de regulação. “Mercados livres são a base do funcionamento de uma economia que queira ter sucesso. Mas mercados livres precisam de regras e a punição ao não cumprimento dessas regras precisa ser mais dura. Comportamentos irresponsáveis põem em risco o que não se pode pôr em risco”, alertou Barroso.

Até sexta-feira, o pacote para a Grécia deve ser finalizado. Mas Barroso já prevê novas medidas. O presidente revelou que vai propor regulações para garantir que agências de classificação de riscos estejam de fato classificando os países de forma adequada. A nova lei promete pôr um limite nas ações da Standard & Poor’s, Moody’s e Fitch, exigindo que sejam transparentes na metodologia usada para classificar países.

Deficiências

Barroso não hesitou ontem em atacar as “deficiências” dessas instituições e exigir que adotem novas fórmulas para avaliar países. Curiosamente, essas mesmas agências estão sendo acusadas por investidores de serem muito suaves com alguns países.

Bill Gross, diretor do maior administrador de títulos do mundo, a Pimco, revelou a seus investidores ontem, em um comunicado, seu descontentamento com as agências que não seguiram a S&P, que rebaixou a Espanha de AAA para AA. “Acreditem ou não, a Moody’s e a Fitch ainda classificam eles (espanhóis) como AAA. Eis um país com 20% de desemprego, déficit de 10%, que decretou default 12 vezes em 200 anos e cujo destino depende cada vez mais da bondade da UE e do FMI”, disse Gross.

Outra missão da União Europeia será a de regular o comércio de derivativos, com a proposta de criar uma central para registrar as operações. Essas centrais poderiam absorver eventuais perdas e reduzir riscos que sejam detectados. “A responsabilidade mostrada pelos governos precisa ser equiparada agora por atores do mercado financeiro”, disse Barroso.

Reforma

Mas a UE também embarcará em uma reforma do próprio bloco. Em junho, uma cúpula da UE ainda vai anunciar um plano de dez anos para a recuperação da economia regional. “A crise nos expôs e expôs tendências que não podemos mais ignorar. A Europa tem um déficit de crescimento que não podemos mais ignorar.”

A UE ainda vai rever suas regras para tentar diminuir as diferenças em competitividade entre os 16 países do euro. Analistas apontam que um dos problemas mais sérios é o fato de que a competitividade das exportações da Alemanha ajudaram a matar a economia das periferias.

A UE também prevê a criação de um mecanismo permanente para lidar com situações de crise, como a da Grécia. Ao ser criado o mercado único e a moeda única, a Alemanha fez questão de incluir no tratado original um parágrafo que garantia a não existência de pacotes de socorro para governos em apuros.

Berlim não queria acabar sendo o caixa forte do bloco. Hoje, a acusação da Grécia e de outros é de que a Alemanha foi quem mais se beneficiou da união e tem responsabilidades sobre o que está ocorrendo.

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