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Economista de Harvard afirma que crescimento vai depender de medidas que estimulem desenvolvimento de novas industrias

Um dos mais respeitados estudiosos do desenvolvimento econômico, o economista de Harvard Dani Rodrik apresentou hoje um estudo no simpósio de Jackson Hole que questiona a visão dominante de que os países emergentes, como China e Brasil, cumprem um destino inexorável de crescer fortemente nos próximos anos e diminuir a distância em relação aos países desenvolvidos.

Neste ano, o simpósio de Jackson Hole, que reúne banqueiros centrais e economistas numa região montanhosa do Estado americano de Wyoming, tem como tema principal o crescimento econômico no longo prazo.

Os países emergentes cresceram bastante nas duas últimas décadas, e a visão mais comum em quase todas as partes é que seguirão nessa trajetória porque podem dar saltos de produtividade absorvendo tecnologias e conhecimentos disponíveis nas economias avançadas.

Seria quase um processo automático, desde que os emergentes mantenham as sólidas políticas macroeconômicas adotadas em anos recentes.

Essa visão de mundo tem norteado boa parte dos fluxos de capitais aos países emergentes, seja investimentos diretos ou aplicações em ações. Rodrik reconhece que em tese os emergentes tem, sim, muito espaço para crescer nos próximos anos. Uma das medidas disso é o quanto sua renda está atrás dos países desenvolvidos.

Apesar de toda a história de sucesso em anos recentes, mostra o economista, por esse indicador os países em desenvolvimento estão na mesma situação da década de 1950. No caso do Brasil, aponta Rodrik, a renda per capita equivale hoje a 24% da observada na média dos países desenvolvidos, contra 30% em 1950.

A questão, argumenta o economista, é como chegar lá. Muitos economistas provaram com ferramentas matemáticas e estatísticas que, para diminuir a diferença em relação aos desenvolvidos, basta os países em desenvolvimento cumprirem um roteiro básico, incluindo por exemplo abertura economica, aprimoramento na educação, e políticas macroeconômicas sólidas.

Ou seja: com um ambiente macro estável, os emergentes podem andar de carona nos ganhos de produtividade desbravados pelos países avançados. Rodrik pondera no estudo, porém, que a coisa não é tão simples.

Os exercícios econômicos mostram onde os países emergentes devem chegar, mas não o caminho a trilhar. Sabe-se, por exemplo, que um país deve ter uma maior corrente de comércio em relação ao PIB. Mas há várias formas de abrir a economia - e a experiência mostra que nem todas levam ao desenvolvimento econômico.

A conclusão de Rodrik é que, para os países emergentes continuarem a crescer, serão necessárias políticas econômicas não-ortodoxas que vão além do receituário básico de abertura comercial, investimento em educação e sólidas políticas macroeconômicas.

"A continuação do rápido crescimento econômico vai depender de políticas pró-ativas para promover transformações e estimular o desenvolvimento de novas industrias", afirma Rodrik no estudo "O Futuro da Convergência Econômica", que estará disponível em breve na página do Federal Reserve de Kansas City. "É o tipo de política que as economias desenvolvidas de hoje empregaram para se tornarem ricas."

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