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Era do câmbio flexível mostra um país cada vez mais atrativo. Economia mais forte, juros altos e EUA mais fracos ajudam escalada

O Real cada vez mais forte no Brasil tem sido acompanhado de investimentos estrangeiros diretos e financeiros com tendências positivas e que atingiram, no ano passado, os recordes dessa década de moeda flutuante. A mesma indicação de crescimento pode ser vista nos empréstimos intercompanhias, aqueles feitos pelas matrizes de multinacionais em filiais no Brasil.

Empréstimos Intercompanhias (estoque)

Confira a evolução dos recursos detinados a filiais brasileiras, de 2000 a 2011

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Austin Rating

Segundo levantamentos feitos pela Austin Rating, os investimentos estrangeiros diretos saíram de US$ 32,8 bilhões em 2000 para US$ 48,5 bilhões no ano passado, um aumento de quase 50%. Caso seja considerado o ponto mais baixo da curva, em 2003, o aumento é de nada menos que 380%. Naquele ano, a moeda nacional esteve mais desvalorizada, com o mercado nervoso no primeiro ano de Lula na presidência do Brasil. A cotação da PTAX, cesta referencial usada pelo mercado, chegou a R$ 3,07.

Investimento Estrangeiro Direto

Fluxo acumulado em cada ano

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Austin Rating

Os aportes diretos foram acompanhados pelos investimentos externos em ações e renda fixa, que saíram de US$ 8,7 bilhões para US$ 67,8 bilhões no ano passado. A alta, nesse caso, foi de 680%. Já os empréstimos intercompanhias saíram de US$ 19,2 bilhões para US$ 95,1 bilhões, com aumento de 395%. O estudo da Austin é feito a partir de 2000 para englobar todos os anos em que o câmbio esteve totalmente flutuante no país.

Investimento Estrangeiro em Carteira

Veja o fluxo acumulado das aplicações no mercado financeiro

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Austin Rating

Economistas ouvidos pelo iG atribuem esses crescimentos – e a valorização do Real que acompanha esses movimentos – a uma mistura de atratividade da economia brasileira e alta taxa de juros. Nos últimos anos, a fraqueza da economia dos Estados Unidos amplificou a equação. O investimento estrangeiro no mercado financeiro, por exemplo, salta de um número negativo no ano da crise, em 2008 (US$ 800 milhões) para R$ 46,2 bilhões positivos em 2009 e US$ 67,8 bilhões no ano passado.

Alex Agostini, economista-chefe da Austin, lembra que o Brasil ficou mais seguro e atrativo ao longo dos últimos anos, o que atrai dinheiro de estrangeiros. “Em 2005, por exemplo, o risco Brasil era de 394 pontos-base. Hoje é de 160”, lembra. “Isso significa que investir no Brasil está cada vez menos arriscado.”

José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator, acrescenta que em abril de 2008, pouco antes do estouro da crise financeira internacional, o Brasil ainda ganhou a chancela de grau de investimento pela Standard&Poor’s. Em maio, foi a vez da Fitch conceder o mesmo status. Quando conquista o grau de investimento, um país ou empresa entra numa seleta lista de opções de aporte com risco muito baixo, e é incluído no radar de grandes investidores internacionais.

Esse país mais confiável para investimentos financeiros também melhorou a governança corporativa de suas empresas e caminhou para harmonizar seus padrões contábeis aos internacionais. Esses outros pontos, diz Agostini, ajudaram a atrair mais recursos para o mercado financeiro.

Já os empréstimos intercompanhias crescem com a soma desses fatores e com o diferencial esperado de crescimento entre o Brasil e os países industrializados, lembra Gonçalves. Ele pondera, no entanto, que parte do investimento direto e entre companhias acaba indo parar no mercado financeiro, aproveitando os altos juros locais.

Ele mostra que a relação entre real e dólar vem caindo desde 2003 (ver gráfico abaixo). Em outubro daquele ano, cada dólar valia R$ 2,86. Em junho de 2011, o dólar valia R$ 1,56. O gráfico mostra que a valorização contínua do Real acompanha um aumento também contínuo no diferencial da taxa de juros entre Brasil e Estados Unidos. Esse diferencial é medido por Gonçalves com base em notas do tesouro de cada país comparáveis em prazo e data de emissão. Essa relação era de -0,94% em outubro de 2003 e passou a +1,87% em junho deste ano.

As trajetórias do câmbio e do diferencial de juros

Confira a evolução da relação entre R$ e US$ (em R$) e o diferencial de juros entre títulos do Brasil e dos EUA (%)

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Banco Fator