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Acompanhe a cronologia da compra de parte do banco pela Caixa e conheça os fatores que levaram ao rombo de R$ 2,5 bilhões

Acompanhe a cronologia da compra de parte do banco Panamericano pela Caixa e a apuração das inconsistências contábeis, que levaram a um rombo de R$ 2,5 bilhões no banco.

Outubro de 2008 – A edição da Medida Provisória 443 permite que a Caixa Econômica crie uma empresa de participações para adquirir participações em outras empresas nacionais, o que antes era vedado a ela.

Novembro de 2008 – Com o agravamento da crise financeira que atingiu o mundo, diversas instituições financeiras procuram a Caixa para iniciar negociação.

Março de 2009 – A MP 443/08 é aprovada e convertida na Lei 11.908. No mesmo mês, é criada a Caixapar, o braço da Caixa para fazer aquisições e investimentos em participações de empresas privadas.

Junho de 2009 – Após três meses de negociações com empresas do setor, a Caixapar contrata o Banco Fator para prestar os serviços de assessoria em negociações de participações, “due dilligence” (verificação da consistência de dados contábeis), quantificação de sinergias, avaliação econômico-financeira e do modelo de negócios, além do nível de governança corporativa das empresas onde houver interesse.

Ainda em junho de 2009 – O Banco Fator é contratado como assessor por oferecer o menor preço entre as cinco empresas habilitadas e ter experiência no mercado. O banco subcontrata o escritório Bocater, Camargo, Costa e Silva Advogados, para prestar serviços legais, e a KPMG auditores independentes para diligências contábeis.

Novembro de 2009 – A Caixapar contrata a BDO Consultores para emitir uma segunda opinião sobre a compra de ações do banco Panamericano. No mesmo mês, a equipe interna da Caixa avalia o valor do banco do grupo Silvio Santos em R$ 2,111 bilhões, depois de deduzidos R$ 203 milhões de contingências identificadas Daí, a definição do valor a ser pago pela Caixa, de R$ 739,2 milhões, por 36,5% do banco.

Dezembro de 2009 – A Caixapar efetua o pagamento da primeira parcela do valor pela aquisição da participação acionária e documentos são enviados ao Banco Central, para avaliação dos termos do contrato. Nesses documentos, já havia previsão de que a Caixa teria membros na diretoria do banco e indicaria seu primeiro presidente após a fusão.

Março de 2010 – O Banco Central solicita ajustes ao acordo de acionistas firmado entre Caixapar e demais sócios do banco Panamericano, entre eles o grupo Silvio Santos.

Maio de 2010 – O Banco Panamericano envia ao Banco Central um novo modelo de acordo de acionistas.

Julho de 2010 – Manifestação favorável do Banco Central ao ingresso da Caixapar no grupo de controle do Panamericano e, com isso, ocorre o pagamento da segunda parcela do total de R$ 739,2 milhões pela aquisição.

Agosto de 2010 – Envio da documentação relativa à conclusão da operação ao Banco Central, que teria de ser avaliada para que a Caixapar efetivamente pudesse assumir postos na direção do Panamericano.

8/9/2010 – O Banco Central solicita esclarecimentos contábeis para o Panamericano após ter percebido inconsistências nos dados contábeis do banco.

14/9/2010 – O Banco Central recebe do Panamericano um pedido de prazo adicional para prestação dos esclarecimentos parciais.

22/9/2010 – O Panamericano apresenta informações formais ao Banco Central, com apontamento de inconsistências e compromisso de que o conselho interno de auditoria prepararia um relatório mais preciso sobre a descoberta. A partir desta data, começou a ser contado o prazo legal de 60 dias para que se encontrasse uma solução preventiva, sem que o BC tivesse de agir como interventor ou decretar liquidação do banco.

1º/10/2010 – Documentos entregues pelo banco Panamericano ao BC permitem primeira contabilização real do rombo.

13/10/2010 – Uma nova planilha é entregue ao Banco Central, apontando o total das inconsistências, incluindo passivos ocultos e duplicidades de repasses de ativos. Na mesma data, o grupo Silvio Santos informa ao BC que estava em negociações com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para buscar uma solução. 

4/11/2010 – Após 57 dias da data em que começou a ser contado o prazo para medidas preventivas antes de intervenção do BC no Panamericano, foi assinado o termo de comparecimento prevendo a criação de um plano de regularização, com participação do FGC e aporte do grupo Silvio Santos de R$ 2,5 bilhões.