Tamanho do texto

Seguradora Mongeral Aegon, que completou 175 anos em 2010, já tem aval da CVM para atuar em novo segmento do mercado

Seguradora mais antiga do País, a Mongeral Aegon acaba de completar 175 anos e se prepara para entrar em novas atividades. A empresa recebeu a autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) há pouco mais de um mês para atuar como administradora de carteiras e gestora de fundos. Helder Molina, presidente da companhia, faz segredo, mas deixa escapar que planeja uma série de novos produtos, que podem chegar até a fundos de investimentos. “Mas isso é coisa para o próximo ano”, diz.

A companhia foi criada em 1835, como Montepio Geral de Economia dos Servidores do Estado, por Aureliano Coutinho, que havia sido prefeito da Corte (a cidade do Rio de Janeiro) e Ministro do Império, numa época em que a população do País todo era de 4,5 milhões de pessoas. De acordo com a companhia, ela é a quarta mais antiga em atividade, atrás apenas dos jornais Diário de Pernambuco, do Diário do Commércio do Rio de Janeiro e do Monitor Campista (de Campos, no interior do Rio). O Banco do Brasil tem mais de 200 anos, mas sua atividade sofreu interrupções.

A Mongeral atua somente em vida e previdência. No ano passado, teve 50% do seu capital vendido para a holandesa Aegon, numa operação que resultou em um aporte inicial de R$ 30 milhões. Agora juntas, elas não querem deixar passar a oportunidade de crescimento gerada pela nova classe média brasileira.

“Com o crescimento da renda da população você tem mais a proteger. Isso é uma fantástica oportunidade”, afirma Mark Mullin, presidente da Aegon, que trabalha dos Estados Unidos, embora a origem da empresa seja na Holanda. “Há grandes oportunidades para suportar a família quando você perde a renda”, complementa. Outro dado destacado pelo norte-americano é que a longevidade do brasileiro está aumentando e as pessoas “têm de pensar” em planos de aposentadoria. “As necessidades das pessoas estão mudando”, diz Mullin.

“Imagine quantas pessoas entraram no mercado de consumo no Brasil nos últimos anos”, afirma Molina, concordando com o novo sócio. Por conta disso, acrescenta, a Mongeral planeja colocar no mercado novos produtos, principalmente para a classe média de renda mais baixa.

“O mercado caminha para produtos de renda fixa com seguro embutido. Hoje não temos isso num PGBL”, explica, referindo-se ao Plano Gerador de Benefício Livre, uma das modalidades de planos de previdência. Para isso a seguradora precisava de autorização para atuar em outros segmentos. “Temos de agregar à previdência um seguro de vida também, porque hoje, se você morrer após pagar três parcelas, a família só terá isso para receber”, indica o presidente da Mongeral Aegon.

A seguradora conta hoje com uma carteira de mais de 600 mil clientes. No ano passado, os ativos estavam em R$ 305 milhões, com um crescimento de 25% sobre o ano anterior. As receitas operacionais totais fecharam o ano em R$ 377,3 milhões, com alta de 22% sobre 2008, e para este ano a previsão é de um salto de 30%. Segundo dados da empresa, as suas reservas técnicas em 2009 eram de R$ 179 milhões, enquanto o patrimônio líquido estava em R$ 70,4 milhões, mais que o dobro do ano anterior.


    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.