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Moeda recuava 0,06%, cotado a R$ 1,608 na compra e a R$ 1,61 na venda, após discurso do presidente do banco central americano

O dólar opera praticamente estável nesta sexta-feira, com reação tímida após o pronunciamento do presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, Ben Bernanke, em conferência em Jackson Hole.

O dirigente da autoridade monetária informou que o banco central americano tem uma série de ferramentas que podem ser usadas para fornecer estímulo monetário adicional. Os méritos e custos dessas ferramentas foram discutidos em agosto, disse Bernanke, e o assunto vai permanecer sob consideração na reunião de setembro.

Ele informou que a duração desse encontro aumentou de um para dois dias. Por volta das 12h40, o dólar comercial recuava 0,06%, cotado a R$ 1,608 na compra e a R$ 1,61 na venda. Na mínima, foi a R$ 1,607 e, na máxima, a R$ 1,617.

No mercado futuro, o contrato de setembro negociado na BM&FBovespa operava com leve queda de 0,15%, a R$ 1,609. O Dollar Index, que mede o desempenho da moeda americana em relação a seis divisas, recuava 0,30%, aos 74,02 pontos.

O euro avançava 0,29% ante a moeda americana, a US$ 1,441. As bolsas de valores têm forte oscilação, após o discurso do presidente da autoridade monetária. Há pouco, o índice Bovespa, que passou a manhã em queda, subia 0,40%, aos 53.164 pontos.

No início da semana, os investidores estavam esperando que Bernanke sinalizasse a adoção de novas medidas de estímulo à atividade, mas, há alguns pregões, o mercado parecia não acreditar mais nisso, o que foi refletido nos preços dos ativos.

Para o economista-chefe da Prosper Corretora, Eduardo Velho, a extensão da reunião de setembro para dois dias aumenta a chance de serem anunciadas mais ações para fortalecer a economia. "Ele terá mais tempo para discutir novas medidas, o que parece necessário. Os dados têm vindo mais fracos.

Hoje, por exemplo, a nova revisão do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA no segundo trimestre ficou em 1%, ligeiramente inferior à expectativa dos analistas", explica. Para Velho, se isso acontecer, as ações serão no âmbito da política monetária, e não da fiscal.

"O presidente Barack Obama não pode fazer muito na parte fiscal, porque a negociação no Congresso entre democratas e republicanos é difícil", analisa. Entre as possibilidades, ele acredita que o governo americano possa reduzir as taxas de juros que incidem sobre o excesso de reservas depositadas pelos bancos no Fed.

"Com isso, as instituições financeiras ampliariam o volume de empréstimos." Outra possiblidade é uma terceira edição do Quantitative Easing, programa de recompra de títulos do Tesouro, por meio do qual é possível injetar liquidez na economia.

A ressalva, diz o economista, é que isso seria mais positivo se a liquidez fosse injetada no setor não financeiro. Além disso, em sua análise, o ideal seria que o governo não estabelecesse um prazo para tal nem uma meta de volume a ser comprado.

Por fim, o governo americano poderia alongar sua dívida, trocando papeis de curto prazo por outros de vencimento mais longo. "Na minha opinião, o governo poderia fazer uma combinação dessas políticas." Para Velho, a tendência para o dólar em médio prazo é de queda, por conta do enfraquecimento da economia americana. "