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Moeda norte-americana deixou para trás os efeitos da alta do juro na China e do IOF maior no Brasil

O dólar deixou para trás os efeitos da alta do juro na China e do imposto maior sobre o capital estrangeiro no Brasil e caiu 0,71% nesta quarta-feira, a R$ 1,675. O movimento foi pautado pelo mercado internacional. Enquanto as operações cessavam no Brasil, o dólar perdia 1,4% em relação a uma cesta com as principais divisas. O euro, com alta de mais de 1%, se aproximava novamente do patamar de US$ 1,40.

Já na terça-feira, profissionais de mercado alertavam que era difícil distinguir até que ponto o imposto maior sobre as aplicações estrangeiras em renda fixa havia sido responsável pela alta do dólar no Brasil, já que o cenário global, com a alta dos juros na China, também pressionava o mercado de câmbio.

"Hoje o destaque é para o setor externo", disse Danilo Campos, operador da corretora Flow, comentando a volta das expectativas de que os Estados Unidos anunciem no início de novembro novas medidas para estimular a economia. O Livro Bege do Federal Reserve mostrou que a expansão da economia continua modesta. Segundo a Medley Global Advisors, uma influente consultoria, o Fed planeja lançar um programa para compra de US$ 500 bilhões em títulos do Tesouro, ao longo de seis meses.

Como contraponto, mas com influência muito menor sobre a taxa de câmbio, o Tesouro anunciou a captação de R$ 1 bilhão em bônus no exterior, com vencimento em 2028. A emissão de papéis em moeda local, de acordo com Marcelo Oliveira, operador da corretora BGC Liquidez, "faz parte da estratégia de não entrar dinheiro aqui e não forçar mais o câmbio."

"Mas o mercado aqui nem se mexeu", comentou. Apesar de o dólar já ter voltado a cair após as medidas recentes do governo contra a valorização do real, dados do Banco Central mostraram que a entrada de capitais para operações financeiras diminuiu neste mês.

Em termos brutos, a entrada de moeda para operações financeiras caiu a US$ 1,594 bilhão a partir do dia 5, primeira sessão com a alíquota de 4% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para o capital estrangeiro destinado a renda fixa .

Nos dois primeiros dias do mês, antes do aumento do imposto, a média era de US$ 2,253 bilhões e, no mês passado, foi de US$ 2,341 bilhões. A conta, porém, inclui outros investimentos, como em ações, que continuaram com a mesma alíquota anterior de IOF, de 2%. Nesta semana, o governo elevou novamente o IOF sobre a entrada de capital estrangeiro para renda fixa, a 6%.

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