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Na semana passada, moeda americana subiu em quatro pregões; em momentos de incerteza na economia, tendência é de alta do dólar

O dólar comercial registrou a maior alta do ano no pregão desta segunda-feira. A moeda americana subiu 1,96% e fechou cotada a R$ 1,612, em dia de tensão nos mercados de capitais após o rebaixamento dos Estados Unidos pela agência de classificação de risco Standard & Poor´s (S&P). A cotação é a maior desde 26 de maio deste ano, quando o dólar chegou a R$ 1,616.

Ainda que o rebaixamento da nota de risco dos Estados Unidos (EUA) já estivesse parcialmente precificado nos ativos, a decisão de sexta-feira da S&P de tirar o "triple A" dos norte-americanos promove a busca por segurança e liquidez.

Segundo operadores, com as quedas das commodities e das bolsas ao redor do mundo, a Bovespa sente a saída de recursos e isso tende a favorecer o avanço da moeda norte-americana.

"Hoje vemos uma saída de capital, com pessoas zerando posições em aplicações e mandando o dinheiro para fora do País," afirma Alexandre Chaia, professor de Finanças do Insper.

Por outro lado, à medida que o dólar sobe em relação ao real, os exportadores devem entrar no mercado vendendo dólares, o que deixa o fluxo mais equilibrado.

"As ações rápidas do G20 e do Banco Central Europeu devem minimizar os efeitos iniciais do rebaixamento. Mas é evidente que os investidores buscarão liquidez e segurança até terem ideia sobre o real impacto de os EUA não serem mais AAA. Por isso, o dólar e o franco suíço, além do ouro, já ganham força", analisou um profissional de câmbio de um banco local, lembrando que as moedas de países produtores de commodities também sofrem com a desvalorização das matérias-primas.

Na sexta-feira passada, a divisa americana subiu 0,37%, para R$ 1,585 na compra e R$ 1,587 na venda. Na semana passada, o dólar subiu em quatro dos cinco pregões e fechou o período acumulando alta de 2,12%, maior ganho semanal desde o começo de maio.

No mercado de ações, o Ibovespa , principal índice da bolsa brasileira, sofreu uma forte queda neste  pregão. No mesmo sentido, os mercados de ações na Ásia e na Europa também iniciaram a semana em queda. Além do rebaixamento dos Estados Unidos, os investidores também se preocupam com a crise da dívida europeia. Quando o mercado de ações deixa de atrair investidores, a tendência é que passem a procurar ativos de menor risco, como é considerada a moeda norte-americana.

(Com agências)

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