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SÃO PAULO - O dólar tem sessão volátil, nesta sexta-feira

. Depois de abrir a sessão com forte queda, chegando a R$ 1,652 na mínima do dia, passou a operar no território positivo, mas há pouco já registrava perda novamente. O mercado de câmbio interno tem acompanhando mais o humor no exterior, ao contrário do que vinha ocorrendo desde a confirmação da capitalização da Petrobras. Mas a volatilidade também está relacionada a ajustes técnicos. Por volta das 12h15, o dólar comercial tinha ligeira desvalorização de 0,12%, cotado a R$ 1,659 na compra e a R$ 1,661 na venda. No mercado futuro, o contrato de novembro negociado na BM&F tinha estabilidade, a R$ 1,666. Há pouco, em Wall Street, os índices Dow Jones e S&P 500 registravam queda de 0,30% e 0,10%. Por aqui, o Ibovespa operava estável. O gerente da mesa financeira da Hencorp Commcor, Rodrigo Nassar, explica que o euro também mudou de direção hoje. Depois de atingir US$ 1,4137 na máxima do dia, a moeda europeia passou a cair e, há pouco, registrava queda de 0,36%, cotada a US$ 1,401. O mau humor externo tem relação com o discurso do presidente do Federal Reserve (Fed), Ben Bernanke, que não trouxe nenhuma novidade. Ele afirmou, nesta manhã, que a autoridade monetária está preparada para agir, por meio da compra de títulos do Tesouro, porém ainda não foi definido o tamanho do programa. Desta forma, o mercado seguirá especulando quanto ao montante de dólares que será injetado na economia. Em relatório, os economistas da Prosper Corretora lembram que a promoção por parte do governo americano da flexibilização monetária quantitativa, via recompra de títulos, já é esperada para o início de novembro, quando ocorrerá a próxima reunião de política monetária do Fed, o que tende a manter o viés de enfraquecimento do dólar ante as moedas das economias emergentes, ao menos no curto prazo. "De fato, os dados fracos do payroll de setembro, e ontem o aumento do número de pedidos de auxílio-desemprego para 462 mil apontam baixo crescimento", diz o relatório. No discurso feito hoje, Bernanke comentou também que a autoridade monetária pode usar seu poder de comunicação para evitar que os Estados Unidos caiam em uma "espiral deflacionária". O tema passou a ser grande fonte de preocupação para o governo americano. Nesta manhã, o Departamento do Trabalho dos EUA revelou que o índice de preços ao consumidor no país avançou 0,1% em setembro. O resultado ficou abaixo do esperado por analistas, que apostavam em uma alta de 0,2%. Sem alimentos e energia, o indicador apresentou estabilidade no mês passado, outro dado abaixo do consenso (alta de 0,1%). Nos 12 meses até setembro, por sua vez, o índice cheio subiu 1,1%. A expectativa do mercado era de um avanço de 1,2%. Já o núcleo do indicador, que desconta alimentos e energia, cresceu 0,8%, no acumulado até o mês passado. A aposta era em uma alta de 0,9%. Nesta sexta-feira, também foi divulgado o resultado das vendas no varejo nos EUA em setembro. Segundo o Departamento do Comércio do país, as vendas tiveram elevação de 0,6%, superando o prognóstico de parte dos analistas, que era de expansão de 0,4%. Já a Universidade de Michigan mostrou que a confiança dos consumidores americanos diminuiu em outubro. O indicador que mede esse sentimento ficou em 67,9 na leitura preliminar deste mês. O resultado veio abaixo das estimativas de alguns analistas, que previam uma marca de 68,9 para a parcial deste mês. Em setembro, o indicador registrou 68,2. Os investidores seguem atentos a medidas do governo para combater a "guerra cambial". Afinal, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, demonstra muita preocupação com o derretimento do dólar. Para Nassar, da Hencorp Commcor, o enfraquecimento da moeda americana é, de fato, um movimento global, e o movimento pode ser atenuado por meio de uma articulação conjunta de vários governos. Porém, no caso do Brasil, "a questão é mais dramática, por conta dos juros altos". "Na minha visão, a única saída para segurar essa forte valorização do real é o governo comprar um volume alto de dólares via leilão de swap cambial reverso (compra de dólares no mercado futuro). Essa medida precisa ser acompanhada de outras medidas menores, paliativas, como o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) incidente sobre o ingresso de capital especulativo", opina o gerente. Matéria publicada hoje pelo Valor revela que o Banco Central continuará comprando o fluxo positivo de capitais que ingressam no mercado brasileiro, porém sem ter como objetivo defender um determinado patamar para o câmbio. Além disso, a autoridade monetária deve seguir com as normas prudenciais para evitar que ocorra uma explosão no crédito, a partir de captações de dólar feitas pelos bancos no exterior. É vedado aos bancos, por exemplo, tomar empréstimos em dólar lá fora e reemprestá-los com dólar no país. O BC não julga necessário adotar medidas adicionais para segurar a valorização do real. O banco aprovou a decisão do Ministério da Fazenda de elevar de 2% para 4% a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) incidente sobre capitais que entram no país, embora não tenha participado da definição da medida - agora, está ajudando na regulamentação. A medida é considerada paliativa. Ainda na visão da autoridade monetária, a situação americana deverá continuar a pressionar o dólar ao menos até o fim do ano que vem. Mas os ingressos de recursos podem diminuir, no caso do Brasil, se o déficit em transações correntes continuar crescendo de forma acelerada. Isso aumentará o risco cambial, desestimulando a entrada de capitais de curto prazo. O BC estima que, em 2010, o déficit externo achegue a 2,49% do Produto Interno Bruto (PIB). Para 2011, a expectativa é de um déficit equivalente a 2,78% do PIB. (Karin Sato | Valor)

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