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Alta é puxada pela aposta de bancos e investidores estrangeiros na valorização da divisa e pela busca por proteção; em quatro dias, avanço é de 9%

O dólar teve forte alta nesta quarta-feira, com os investidores estrangeiros e bancos brasileiros ajustando suas posições na moeda norte-americana. A busca pela divisa aconteceu, mais uma vez, motivada por fatores externos, como as expectativas de que o pacote dos Estados Unidos pudesse levar ao fortalecimento do dólar e os temores de default (calote) da Grécia.

"Essa alta acontece pelo cenário externo, que faz com que muitos devedores em moeda estrangeira busquem proteção. Economicamente falando, não tem nada de excepcional no Brasil que justifique esta alta," diz Tarcísio Rodrigues, diretor de câmbio da Socopa Corretora.

Na opinião dele, as preocupaçoes com um eventual calote grego e contágio para outros países continuam a preocupação central dos investidores.

Perto das 16h, o dólar chegou a bater R$ 1,85, maior valor desde 8 de junho de 2010 (R$ 1,86). No fechamento, valia R$ 1,858, com um ganho de 3,75%.

Em quatro dias seguidos de ganhos, a moeda norte-americana acumulou cerca de 9% de valorização em relação ao real.

O que impulsionou a alta da moeda norte-americana nesta quarta-feira, segundo os operadores, foi um movimento de compra e de montagem de posição comprada – que ganha com a alta do dólar – em grandes volumes, segundo operadores. 

“Os bancos estão invertendo montagens de posições, trocando as vendidas por compradas. Ao mesmo tempo, há uma forte compra por estrangeiros, diante das expectativas para o anúncio do Fed [Federal Reserve, o banco central dos EUA],” afirma Luiz Antonio Abdo, gerente de câmbio da Souza Barros corretora.

A expectativa dos compradores estrangeiros, segundo Abdo, é de que o estímulo à economia norte-americana fortaleça o dólar no exterior. “Aqui não vai ser diferente”.

Recurso escasso

Abdo concorda que a preocupação com a Grécia também impulsiona a compra do dólar, o que já vem acontecendo nos últimos dias. Quando o clima de incerteza aumenta, investidores tendem a buscar ativos considerados mais seguros, como o dólar.

Na opinião do gerente de câmbio da Treviso Corretora de Câmbio, Reginaldo Galhardo, está acontecendo uma forte especulação. "Os investidores estão se protegendo. Eles temem uma nova crise bancária que seria causada por uma possível quebra da Grécia. Os recursos ficariam muito escassos", afirma.

(Com agências)