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Diante de temores de recessão global, moeda americana fechou em alta de 1,76%, a R$ 1,5885

Investidores em busca de proteção contra a pânico nos mercados internacionais provocaram a alta de quase 2% do dólar nesta quinta-feira, em um dia de intervenção cambial pesada no exterior e de uma das maiores quedas da Bovespa desde a crise de 2008.

A moeda norte-americana fechou em alta de 1,76% no mercado à vista, a R$ 1,5885, acelerando a valorização no fim do dia. Foi a maior alta percentual diária desde 6 de maio do ano passado, com 2,95%, e a maior cotação de fechamento desde 27 de junho deste ano, quando ficou em R$ 1,596.

Em relação a uma cesta com as principais divisas, o dólar subia 1,59%.

O medo de um agravamento da crise europeia e de uma estagnação da economia mundial se agravou nesta quinta-feira, após dois dias seguidos de forte volatilidade. O Ibovespa chegou a cair mais de 6%, seguindo a baixa das ações nos Estados Unidos e na Europa.

"Não diria que estamos no cenário de 2008, mas até agora é, disparadamente, o pior momento do ano. Esse é um cenário definitivamente de crise", disse diretor de tesouraria do Banco Prosper, Jorge Knauer.

Indicadores econômicos têm mostrado há semanas que a economia dos Estados Unidos já não se recupera à mesma velocidade que no começo do ano. Além disso, os investidoresm temem que a crise na Europa atinja Itália e Espanha, terceira e quarta maiores economias da zona do euro.

O mercado cambial não refletiu somente a incerteza sobre a economia. Em resposta à persistente desvalorização do dólar, o Banco do Japão juntou-se à guerra cambial e interveio no mercado para proteger as exportações do país. Ao todo, o banco central do país vendeu 1 trilhão de ienes no mercado, ou US$ 12,6 bilhões. A moeda japonesa despencava mais de 2% ante o dólar.

Na quarta-feira, o banco central da Suíça já havia reagido ao efeito da queda do dólar sobre sua economia, reduzindo a taxa básica de juros de forma inesperada.

Disparada?

Apesar da alta do dólar, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que não crê em uma disparada da moeda norte-americana.

"Não sabemos qual é a reação do mercado. Porque no passado a gente sabia, era a fuga para a segurança. Mas hoje eu pergunto: onde é que está a segurança?", questionou.

Ainda assim, Knauer, do banco Prosper, disse que não se pode descartar essa possibilidade.

"Não que seja a que tem mais probabilidade de acontecer, mas vamos combinar que não dá para descartar absolutamente nada... Esse movimento de hoje é um movimento de pânico."

Apesar da turbulência, o Banco Central (BC) manteve o padrão de intervenções dos últimos dias e fez dois leilões de compra de dólares no mercado à vista.

A taxa Ptax, calculada pelo BC e referência para contratos futuros e outros derivativos, fechou a R$ 1,5752 para venda, em alta de 0,65%.