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A moeda norte-americana teve alta de 1,25%, cotada a R$ 1,696 na venda

O detalhamento de medidas do governo para frear a entrada de capital externo no país e o aumento da aversão a risco no exterior levaram o dólar a superar R$ 1,70 nesta quinta-feira. No fechamento, a moeda norte-americana desacelerou um pouco a alta para 1,25%, cotada a R$ 1,696 na venda, segundo grandes bancos consultados pela Reuters. De acordo com a cotação divulgada pelo Banco Central no final do dia, o dólar terminou a R$ 1,702.

"Tudo lá fora piorou. Estamos acompanhando a alta do dólar lá fora e a queda nas bolsas de valores", disse Mario Battistel, gerente de câmbio da Fair Corretora. O dólar recuperava-se das perdas exibidas pela manhã e avançava ante uma cesta de moedas, o que contribuía para a queda das commodities e, por tabela, dos principais índices de ações nos Estados Unidos. A Bovespa acompanhava a toada e cedia mais de 1% no final da tarde.

"As tentativas do governo de conter a queda do dólar também devem ser analisadas, principalmente se o dólar voltar a cair e o governo sinalizar que pode tomar mais medidas para brecar a alta do real", completou Battistel. Nesta sessão, o mercado repercutiu resoluções do Conselho Monetário Nacional (CMN), divulgadas na véspera, que fecham brechas sobre a cobrança da alíquota maior do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) no depósito de margens de garantia na BM&FBovespa.

O governou vedou o aluguel, troca ou empréstimo de títulos, valores mobiliários e outros ativos financeiros a investidor não residente, cujo objetivo seja realizar operações no mercado de derivativos. Em outro texto, ficou estabelecido que a migração interna de recursos em real destinados a constituição de margens de garantia, inicial ou adicional, realizada por investidor não residente no país também estará sujeita a contratações simultâneas de câmbio.

Para os economistas do HSBC Clyde Wardle e Majorie Hernandez, as constantes modificações tributárias no mercado de câmbio criam incertezas indesejáveis, passando a impressão de que o investidor estrangeiro não é bem-vindo ao Brasil. "Uma das características da intervenção é que as autoridades estão trabalhando, na maioria dos casos, com uma lógica de tentativa e erro", afirmaram.

Segundo o operador de uma corretora paulista, que pediu anonimato, os investidores estrangeiros estão incomodados. Outro profissional, que também pediu para não ser citado, disse que "bastante estrangeiro zerou" posição vendida em dólar no mercado futuro.

Na quarta-feira, os estrangeiros exibiam US$ 13,010 bilhões em posições vendidas na moeda norte-americana nos mercados de dólar futuro e cupom cambial (DDI). A posição, embora tenha diminuído em mais de US$ 2,5 bilhões em relação aos dois dias anteriores, ainda era uma das maiores do ano.

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