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SÃO PAULO - O movimento de baixa do dólar observado no começo dos negócios não passou de tentativa

. A moeda americana tomou fôlego no decorrer da tarde e fecha a jornada com alta de 0,41%, a R$ 1,709 na venda. O giro estimado para o interbancário ficou em US$ 2,3 bilhões. Na semana, o preço do dólar subiu 2,58%, maior valorização semanal desde o começo de junho. Cabe lembrar também que o dólar caiu por sete semanas consecutivas. No mês, o ganho é de 1,0%. Na roda de "pronto", da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) o dólar avançou 0,59%, para R$ 1,7065. O volume subiu de US$ 9,5 milhões, para US$ 60,5 milhões, um dos menores do ano. Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), o dólar para novembro apontava alta de 0,67%, a R$ 1,7115, antes do ajuste final de posições. A puxada de preço no período da tarde ocorreu em meio a uma série de rumores. Correu pelas mesas que um único grande comprador estimulou a alta, que teve início no mercado futuro. Também surgiram informações dando conta da atuação do Fundo Soberano. Esse tipo de situação denota a fragilidade atual do mercado, que continua assustado com a disposição do governo brasileiro em conter a valorização do real. Vale lembrar que na segunda-feira, a Fazenda subiu novamente o IOF, de 4% para 6%, para os ingressos em renda fixa, e também adotou a mesma alíquota sobre os depósitos de margens para estrangeiros que querem operar na BM&F. Já na quarta-feira à noite, o Banco Central fechou as brechas que existiam e poderiam ser usadas pelo estrangeiro para escapar da tributação nos depósitos de margem. A reação do mercado foi bastante negativa, ontem, com agentes insatisfeitos com as intervenções do governo e ajustando posições às determinações da autoridade monetária. Segundo o superintendente de tesouraria do Banco Banif, Rodrigo Trotta, tem um clima ruim pairando sobre o mercado, a percepção de que alguma coisa pode acontecer. Soma-se a isso comentários externos sobre a existência de bolhas em mercados emergentes incluindo Brasil e China. No entanto, pondera o especialista, a tendência para o preço da moeda americana não mudou, continua sendo de baixa. Acontece que agora, em meio à incerteza, os investidores ajustam posições e param para assistir o mercado. Outro ponto levantado pelo especialista, que pode ter alguma influência na formação de preço do câmbio, é a proximidade das eleições. Trotta lembra que a expectativa é de que nenhuma medida radical seria tomada até as eleições. O ponto é que se der vitória da candidata governistas Dilma Rousseff, o mercado pode ficar mais preocupado com medidas mais rigorosas. (Eduardo Campos | Valor)

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