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Moeda fechou em R$ 1,5607, com números industriais fracos nos EUA e na China

O dólar subiu ante o real nesta segunda-feira, acompanhando a reação do mercado global a dados piores do que o esperado nos Estados Unidos. A moeda norte-americana avançou 0,63%, a R$ 1,5607 para venda, após ter sido cotado abaixo de R$ 1,55 no começo da manhã. Em relação a uma cesta com as principais divisas, o dólar subia 0,54% às 17 horas.

Após iniciar o dia em queda refletindo a animação dos investidores com o acordo entre Democratas e Republicanos para corte de gastos e elevação do teto da dívida dos EUA, o dólar recuperou-se e subiu ainda pela manhã em meio à retomada da aversão ao risco nos mercados. Os investidores reduziram posições em moedas consideradas mais arriscadas, como o euro e o real, e migraram para o dólar e o franco suíço, após os fracos índices de atividade industrial nos EUA e na China reacenderem as preocupações com o crescimento global. O euro também foi pressionado pelo rebaixamento pela Fitch da perspectiva do Banca Popolare di Vicenza de estável para negativa, mantendo aceso o alerta sobre a economia europeia.

Apesar da confiança de que o plano bipartidário norte-americano poderá ser aprovado pelo Congresso, muitos investidores sabem que ele afasta apenas a incerteza no curto prazo e que não resolve definitivamente o problema de longo prazo de sustentabilidade da dívida dos EUA. Por isso, os agentes financeiros não descartam que o acerto político será insuficiente para impedir o rebaixamento dos ratings AAA dos EUA. Nesse ambiente, os agentes financeiros se retraíram, diminuindo os volumes de negócios, que já costumam ser mais fracos em início de mês.

O Banco Central manteve a realização de dois leilões de compra de dólar no mercado à vista, nos quais definiu as taxas de corte em R$ 1,5598 e R$ 1,5603.

Nos EUA, o vice-presidente, Joe Biden, disse esta tarde, após sair de uma reunião com deputados democratas, que o acordo anunciado ontem tem uma "característica irresistível, redentora: diz que essa questão do teto da dívida não virá à tona de novo até 2013". Pelo acordo, conforme anúncio do presidente dos EUA, Barack Obama, haverá elevação do teto da dívida de US$ 2,4 trilhões em dois estágios e um corte de gastos de quase US$ 900 bilhões durante dez anos. Também foi definido que um comitê especial de parlamentares ficará encarregado de efetuar cortes para reduzir o déficit em mais US$ 1,5 trilhão por meio de uma reforma tributária e também através de alterações nos programas de segurança do governo, da ordem de US$ 350 bilhões em dez anos.

Biden reconheceu a frustração de deputados democratas sobre o projeto e disse que alguns deles saíram da reunião afirmando que não planejam votar a favor do plano. A votação na Câmara deve ocorrer ainda hoje. Segundo o republicano Lamar Smith, presidente do Comitê Judiciário, o projeto pode ser votado por volta das 19h (de Brasília).

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