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Moeda americana encerrou a última sessão do mês cotada a R$ 1,826, afetada por sinais de desaceleração da economia mundial

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Neste mês em que o governo reforçou o arsenal de medidas para evitar a valorização do real, com a ampliação do prazo de cobrança de IOF de 6% sobre empréstimos externos para até 5 anos, um novo corte de 0,75 ponto porcentual da taxa Selic, a 9,75% ao ano, e os leilões de compra do BC, o dólar à vista subiu mais de 6%, reposicionando-se acima de R$ 1,82.

A tensão externa derivada dos sinais de desaceleração da economia mundial, sobretudo da China, dos Estados Unidos e da zona do euro, deu suporte extra à apreciação da moeda norte-americana, com queda simultânea dos preços de commodities e da Bovespa. 

O dólar no mercado à vista encerrou esta última sessão do mês com sinais mistos: no balcão teve leve alta de 0,06%, a R$ 1,8260, enquanto na BM&F recuou 0,14%, a R$ 1,8240. Com o resultado, a moeda encerra março com ganho de 6,47% no balcão; e o primeiro trimestre, com queda de 2,25%. O giro financeiro total hoje encolheu cerca de 20%, para US$ 1,623 bilhão (US$ 1,407 bilhão em D+2).

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No mercado futuro, como houve a antecipação de rolagens de contratos nos dias anteriores, a disputa hoje em torno da formação da taxa Ptax sustentou a volatilidade de preço até o início da tarde, mas o volume de negócios foi menor. Até 17h13, quatro vencimentos de dólar foram negociados, com giro de US$ 18,438 bilhões - 20% inferior ao de ontem.

Deste total, o dólar abril 2012, que será liquidado na segunda-feira com base na taxa Ptax de hoje, movimentou US$ 703 milhões e projetava R$ 1,8225; já o dólar maio/2012, que passou a concentrar a liquidez, movimentou até esse horário US$ 17,732 bilhões, com taxa em R$ 1,8380 (+0,16%). A Ptax desta sexta-feira ficou em R$ 1,8221, com queda de 0,62%, e também servirá de base para fechamento dos balanços trimestrais das empresas. 

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A perspectiva no mercado para o curto prazo é de que o dólar se valorize discretamente, com espaço de baixa permanecendo limitado pelos temores de novas medidas cambiais e os leilões de compra do Banco Central, disse o economista Maurício Nakahodo, da CM Capital Markets.

Para ele, na semana que vem o mercado conviverá com novos dados negativos da economia da zona do euro, com exceção da Alemanha, e deverá reagir logo na segunda-feira aos números sobre atividade na China que saem neste fim de semana: os índices PMI do setor industrial oficial do país e o calculado pelo HSBC. Este último, em sua prévia de março, apresentou uma queda para 48,1 pontos, o menor nível do indicador em quatro meses.

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Se esses dados ficarem acima de 50, nível que indica expansão da atividade, o mercado poderá melhorar o humor. De todo modo, o comportamento do dólar dependerá ainda do perfil e tamanho do fluxo cambial. A depender da disposição do governo, avalia o economista, o dólar tem fôlego para subir mais. "Há demanda de empresários por um dólar mais apreciado, de modo a estimular a produção industrial e o setor exportador brasileiro. Além disso, a possibilidade de anúncio de novas medidas do governo poderá inibir o fluxo de dólares para Brasil", pontuou. 

A exemplo de ontem, o Banco Central repetiu hoje a realização de um leilão de compra de dólar pouco antes do fechamento do mercado à vista. Na operação, a autoridade monetária definiu a taxa de corte em R$ 1,8247 - mais uma vez o valor ficou acima do preço do dólar à vista naquele momento, a R$ 1,8220 no balcão (-0,22%). Após esta intervenção, a divisa no balcão recuperou o terreno positivo.

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