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SÃO PAULO - O dia começou com forte aversão ao risco, que levou o dólar a uma alta de 1%, na máxima do dia

. Porém, pouco após a abertura do pregão, foram divulgados indicadores nos Estados Unidos que trouxeram certo alívio aos agentes do mercado. Há pouco, os principais índices das bolsas em Wall Street operavam perto da estabilidade e oscilavam entre alta e baixa. O Índice Bovespa acompanha esse movimento e, instantes atrás, tinha aumento de 0,08%, aos 61.652 pontos. O temor de que a zona do euro enfrente seu primeiro default da dívida levou o dólar comercial a uma alta de 1,13% ante o real ontem e à retomada do patamar de R$ 1,60, o que não ocorria desde 27 de maio. Nesta jornada, a apreciação da moeda não é tão acentuada. Pouco depois das 10h30, o dólar comercial registrava um ganho de 0,56%, cotado a R$ 1,607 na compra e a R$ 1,609 na venda. No mercado futuro, o contrato de julho negociado na BM&FBovespa subia 0,46%, a R$ 1,614. No mercado de câmbio externo, o Dollar Index, que mede o desempenho da divisa americana em relação a seis moedas rivais, avançava 0,27%, aos 75,78 pontos. Por sua vez, o euro recuava 0,32% ante o dólar, a US$ 1,4125. As commodities operavam no território negativo. Minutos atrás, o índice CRB caía 0,36%, aos 337,73 pontos. Na Europa, o premiê grego George Papandreou prepara uma mudança em seu governo na tentativa de obter aval do Parlamento para as medidas de austeridade. Se não conseguir a aprovação do plano de austeridade, o país não vai obter as próximas parcelas do resgate financeiro e pode ter de renegar suas próprias obrigações da dívida. A fim de ajudar a Grécia, deve ser solicitada alguma forma de default. Nas últimas semanas, as principais autoridades financeiras da Europa estiveram em desacordo sobre como trazer os credores privados para discutir o assunto, movimento que alguns especialistas veem como um default. Um representante do Banco Central Europeu (BCE) alertou que o fundo de socorro de crise da União Europeia deve ter de dobrar para 1,5 trilhão de euros se a Grécia fracassar em pagar suas dívidas, disseminando a turbulência financeira. A possibilidade de um default da Grécia causar danos à França, a segunda maior economia da Europa, ficou evidente ontem, quando a Moody's alertou que três grandes bancos do país correm o risco de terem suas notas de crédito rebaixadas por causa da exposição à dívida grega. Na agenda americana de indicadores, o Departamento do Trabalho dos EUA revelou que os novos pedidos de seguro-desemprego nos Estados Unidos cederam em 16 mil na semana passada, em relação à anterior, para 414 mil, surpreendendo positivamente os investidores, que esperavam um recuo menos acentuado. Na média das quatro últimas semanas até o dia 11 de junho, houve estabilidade, seguindo em 424,750 mil solicitações. Foi divulgado também que a atividade de construção de casas nos EUA aumentou 3,5% em maio, para uma taxa anualizada ajustada sazonalmente de 560 mil unidades, contra 541 mil unidades de abril. Este resultado também tem viés positivo, já que o consenso era de 540 mil unidades. Já os alvarás de construção, um indicativo da situação futura do setor, aumentaram 8,7% ante abril, saindo de uma taxa anualizada de 563 mil para 612 mil. Por fim, o déficit em conta corrente dos EUA avançou 6,3% no primeiro trimestre deste ano, para US$ 119,3 bilhões, depois de se situar em US$ 112,2 bilhões nos três últimos meses de 2010 (dado revisado). No mercado interno, ata da reunião do Copom, divulgada nesta manhã, foi marcada pela ausência de novidades, afirma Octávio de Barros, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco. A instituição considera crescente a probabilidade de o ciclo de aperto monetário se estender até agosto. Cabe lembrar que a Selic foi elevada a 12,25% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom), na semana passada. "A ata não trouxe informações adicionais expressivas em relação ao comunicado divulgado pós-reunião e à ata anterior. Entretanto, conforme esperado, o Comitê avaliou que houve uma deterioração da incerteza e volatilidade em relação ao cenário internacional, o que impõe o risco de moderação do ritmo de recuperação global. Ao mesmo tempo, quanto ao cenário doméstico, o Banco Central reconheceu que o cenário prospectivo para a inflação se tornou ligeiramente mais favorável desde a última reunião, enfatizando os efeitos observados das medidas de política monetária e macroprudenciais já adotadas, que devem se manter daqui para frente", afirma. (Karin Sato | Valor)

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